Sobre o projecto

Transformar dados públicos de saúde em conhecimento

O Corpus nasceu de uma convicção simples: os dados produzidos pelo sistema público de saúde pertencem à sociedade e devem poder ser utilizados para produzir conhecimento, promover a investigação e reforçar o escrutínio democrático.

A plataforma tornou-se possível na sequência de uma prolongada iniciativa jurídica conduzida pelo Página UM para obter acesso a uma das mais importantes bases de dados da saúde portuguesa. Durante anos, milhões de registos hospitalares permaneceram inacessíveis à comunidade científica, aos jornalistas e aos cidadãos, apesar do seu enorme potencial para compreender a evolução da saúde da população e o funcionamento do sistema de saúde.

Mais do que uma plataforma tecnológica, o Corpus constitui uma infra-estrutura de conhecimento destinada a apoiar a investigação científica, o ensino superior, a avaliação de políticas públicas, a comunicação académica e o jornalismo baseado em evidência.

Os dados
A Base de Dados de Morbilidade Hospitalar (BDMH, antiga BD-GDH): cerca de 38,5 milhões de episódios de internamento, cirurgia de ambulatório e ambulatório médico nos hospitais do SNS, entre 2000 e 2024 — diagnósticos, procedimentos, idade, sexo, hospital, duração do internamento, destino após alta e mortalidade intra-hospitalar. Para indicadores populacionais, os dados são complementados com informação demográfica do INE.
A análise
O Corpus combina epidemiologia, bioestatística, ciência dos dados e inteligência artificial para produzir análises compreensíveis, reproduzíveis e rigorosas: harmonização clínica entre ICD-9 e ICD-10, ajustamento demográfico, análise temporal e avaliação de comorbilidades. A IA é uma camada de apoio — não substitui os métodos estatísticos nem produz resultados independentes dos dados observados.
A privacidade
O Corpus opera exclusivamente sobre dados pseudonimizados e agregados. Nenhum utilizador tem acesso a informação clínica individual e as células estatísticas com poucas observações são automaticamente suprimidas, minimizando o risco de reidentificação.
A transparência
Os dados têm origem em fontes públicas, os métodos são explicitados e as limitações assumidas com clareza. Nenhuma análise deve ser considerada definitiva: o conhecimento científico progride pela verificação, replicação e escrutínio permanente dos resultados.

Como funciona

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    Acesso e harmonização dos dados

    Os ficheiros anuais da BDMH são tratados, normalizados e harmonizados entre as versões da Classificação Internacional de Doenças (ICD-9-CM e ICD-10-CM/PCS), e complementados com informação demográfica do INE para o cálculo de taxas e indicadores populacionais.

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    Exploração analítica

    Investigadores, jornalistas e utilizadores interrogam os dados através de ferramentas analíticas avançadas apoiadas por inteligência artificial: as perguntas em linguagem natural são convertidas em operações estatísticas reproduzíveis sobre a base de dados.

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    Revisão metodológica

    As análises são sujeitas a verificação dos pressupostos, das limitações dos dados, das quebras de série conhecidas e da consistência dos resultados — com identificação explícita das limitações que possam influenciar a interpretação.

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    Produção de conhecimento

    Os resultados podem assumir a forma de estudos, relatórios, artigos científicos, trabalhos académicos, análises exploratórias ou investigações jornalísticas — a mesma infra-estrutura serve a ciência, o ensino, a avaliação de políticas públicas e o jornalismo de dados.

Quem somos

O Corpus é um projecto do Página UM, jornal digital independente dedicado ao jornalismo de investigação, ao escrutínio público e à análise baseada em evidência. A sua criação resulta de vários anos de trabalho jornalístico, investigação documental e litigância administrativa — a disponibilização da BDMH representa um dos mais relevantes processos de abertura de dados públicos na área da saúde alguma vez alcançados em Portugal.

Embora tenha origem no jornalismo de investigação, o Corpus foi concebido para servir uma comunidade mais ampla: investigadores, profissionais de saúde, estudantes, universidades, decisores públicos, jornalistas e cidadãos interessados em compreender melhor a realidade da saúde em Portugal. Para sugestões, pedidos de colaboração ou propostas de investigação, escreva para corpus@paginaum.pt.

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