Sarcomas dos Tecidos Moles no SNS (2000–2024)
por Paulo Tavares
Análise de 25 anos de actividade do SNS português em sarcomas dos tecidos moles (65 200 episódios, 2000–2024). A análise de mortalidade é calculada exclusivamente sobre episódios de internamento (47 830), excluindo os episódios ambulatórios. Nos internamentos, a mortalidade intra-hospitalar nacional é de 5,22%. A ULS de Coimbra, terceiro maior centro nacional e maior centro não exclusivamente oncológico, apresenta a menor mortalidade intra-hospitalar bruta em internamento entre os três centros de maior volume (2,41% vs. 3,44% no IPO Porto e 3,57% no IPO Lisboa). Este resultado mantém-se após padronização directa por idade e sexo (Coimbra 3,04%, IPO Porto 3,73%, IPO Lisboa 4,27%) e na análise de sensibilidade restrita ao diagnóstico principal.
Sarcomas dos Tecidos Moles no SNS (2000–2024)
Este relatório analisa a actividade hospitalar do SNS português em sarcomas dos tecidos moles entre 2000 e 2024, com base numa definição operacional de códigos ICD topográficos de especificidade elevada. A selecção pretende maximizar a identificação de sarcomas dos tecidos moles com os códigos disponíveis na BDMH, mantendo especificidade aceitável, mas subestima necessariamente sarcomas viscerais cuja codificação ICD-CM é exclusivamente topográfica.
Códigos incluídos:
ICD-9-CM: 171.x (tecidos conjuntivos e moles), 158.0 (retroperitoneu), 164.1 (coração), 187.6 (cordão espermático).
ICD-10-CM: C49.x excluindo todos os C49A.x (GIST), C47.x (nervos periféricos e SNA, incluindo MPNST), C48.0 (retroperitoneu), C38.0 (coração), C63.1x (cordão espermático — C63.10, C63.11, C63.12), C22.3 (angiossarcoma do fígado), C22.4 (outros sarcomas do fígado).
Expressamente excluídos: GIST (C49A.x em ICD-10; não separáveis em ICD-9), sarcoma de Kaposi, tumores ósseos (C40.x/C41.x), sarcomas mielóides e histiocíticos.
Importante: A análise de mortalidade é calculada exclusivamente sobre episódios de internamento (
tipo_port_apr31 = 'Int'). Os episódios ambulatórios são excluídos do denominador, porque a proporção de episódios ambulatórios difere fortemente entre hospitais e enviesa a comparação. Um mesmo doente pode gerar múltiplos internamentos; o total de 65 200 episódios não equivale a 65 200 doentes distintos.
Episódios por Doente — Porque a Mortalidade Total Era Enganosa
A versão anterior calculava a mortalidade sobre todos os episódios (internamento + ambulatório). Este indicador está fortemente enviesado pela diferença de proporção de ambulatório entre hospitais.
A tabela abaixo ilustra o problema:
| Hospital | Total episódios | Doentes distintos | Episódios/doente | Internamentos | Doentes c/ internamento | Internamentos/doente |
|---|---|---|---|---|---|---|
| IPO Porto | 19 076 | 2863 | 6,7 | 14 755 | 2661 | 5,5 |
| IPO Lisboa | 15 329 | 2251 | 6,8 | 9870 | 2135 | 4,6 |
| ULS de Coimbra | 10 556 | 1121 | 9,4 | 9786 | 1084 | 9 |
| ULS Santo António | 2921 | 517 | 5,6 | 775 | 487 | 1,6 |
| IPO Coimbra | 2754 | 434 | 6,3 | 2259 | 411 | 5,5 |
| ULS Santa Maria | 2368 | 660 | 3,6 | 842 | 591 | 1,4 |
| ULS São João | 2085 | 412 | 5,1 | 1518 | 387 | 3,9 |
A ULS de Coimbra tem 9,4 episódios/doente (vs. 6,7–6,8 nos IPO), com 92,7% dos seus episódios a serem internamentos. A ULS Santo António e ULS Santa Maria têm grande proporção de episódios ambulatórios. A mortalidade calculada sobre todos os episódios não é comparável entre estas instituições.
Mortalidade Intra-Hospitalar em Internamentos
O indicador principal de mortalidade neste relatório é calculado exclusivamente sobre episódios de internamento:
Mortalidade intra-hospitalar (internamentos) = óbitos (dsp=20) / total de internamentos × 100
Este indicador é calculado com a mesma metodologia em todos os hospitais e no SNS total. A mortalidade intra-hospitalar em internamentos é um indicador descritivo que não mede sobrevivência oncológica, mortalidade específica por sarcoma nem outcome clínico global. Um doente que sobreviva à alta e faleça depois não é contabilizado. As diferenças entre hospitais reflectem predominantemente diferenças de case-mix (estadio, histologia, comorbilidade e gravidade) que a BDMH não permite ajustar.
⚠️ Diferenças de mortalidade entre centros especializados e hospitais periféricos reflectem predominantemente case-mix distinto. Mortalidade em internamentos nacional: 5,22%.
| Hospital | Internamentos | Óbitos | Mortalidade (%) | Doentes distintos c/ internamento |
|---|---|---|---|---|
| SNS Total | 47 830 | 2495 | 5,22 | 5138 |
| IPO Porto | 14 755 | 507 | 3,44 | 2661 |
| IPO Lisboa | 9870 | 352 | 3,57 | 2135 |
| ULS de Coimbra | 9786 | 236 | 2,41 | 1084 |
| IPO Coimbra | 2259 | 76 | 3,36 | 411 |
| ULS São João | 1518 | 42 | 2,77 | 387 |
| ULS Arco Ribeirinho | 1078 | 42 | 3,9 | 163 |
| ULS Santo António | 775 | 60 | 7,74 | 487 |
| ULS Santa Maria | 842 | 90 | 10,69 | 591 |
| ULS do Algarve | 764 | 85 | 11,13 | 354 |
| ULS São José | 707 | 73 | 10,33 | 450 |
| ULS de Braga | 453 | 33 | 7,28 | 187 |
| ULS Alentejo Central | 483 | 22 | 4,55 | 107 |
Ordenado por volume de internamentos. Mortalidade = óbitos intra-hospitalares / internamentos × 100. Ambulatório excluído do denominador.
Padronização por Idade e Sexo — Três Maiores Centros
Para tornar a comparação entre os três centros de maior volume mais robusta, calculou-se uma mortalidade intra-hospitalar padronizada directamente por idade e sexo, utilizando como população padrão a distribuição conjunta de todos os internamentos de sarcoma do SNS (grupos etários 0–9, 10–19, 20–29, 30–39, 40–49, 50–59, 60–69, 70–79, 80+, por sexo).
Os resultados são os seguintes:
| Hospital | Internamentos | Óbitos | Mortalidade bruta (%) | Mortalidade padronizada (%) |
|---|---|---|---|---|
| IPO Porto | 14 755 | 507 | 3,44 | 3,73 |
| IPO Lisboa | 9870 | 352 | 3,57 | 4,27 |
| ULS de Coimbra | 9786 | 236 | 2,41 | 3,04 |
Padronização directa usando a distribuição nacional de internamentos de sarcoma por grupo etário × sexo como população padrão. Este ajustamento não corrige diferenças de estadio, histologia, comorbilidade ou gravidade clínica — ressalvas que permanecem obrigatórias na interpretação.
Após padronização por idade e sexo, a ULS de Coimbra mantém a mortalidade intra-hospitalar mais baixa entre os três centros de maior volume (3,04% vs. 3,73% no IPO Porto e 4,27% no IPO Lisboa). Note-se que a padronização faz subir os valores de Coimbra (de 2,41% para 3,04%), o que sugere que a estrutura etária e de sexo dos seus internamentos é ligeiramente mais favorável do que a média nacional — ou seja, parte da diferença bruta resulta de diferenças demográficas. Ainda assim, a diferença persiste após padronização. O ajustamento permanece incompleto: não corrige diferenças de estadio tumoral, histologia, comorbilidade ou gravidade clínica, pelo que este resultado é observacional e não permite inferir causalidade ou superioridade assistencial.
Análise de Sensibilidade — Diagnóstico Principal (d1)
Como análise de sensibilidade, recalculou-se a mortalidade em internamentos restringindo a selecção aos episódios em que o sarcoma figura como diagnóstico principal (posição d1). Esta análise não substitui a definição principal (d1–d10), mas serve para verificar se o padrão de mortalidade se mantém quando se exclui o efeito de episódios em que o sarcoma é comorbilidade ou diagnóstico secundário.
Na análise d1, a mortalidade é estruturalmente mais elevada (porque os episódios em que o sarcoma é diagnóstico principal são tipicamente os de maior gravidade clínica):
| Hospital | Internamentos (d1) | Óbitos | Mortalidade (%) |
|---|---|---|---|
| SNS Total | 5960 | 853 | 14,31 |
| IPO Porto | 3356 | 365 | 10,88 |
| IPO Lisboa | 2722 | 275 | 10,1 |
| ULS de Coimbra | 1791 | 161 | 8,99 |
Análise de sensibilidade apenas. A definição principal do relatório inclui d1–d10. A mortalidade é mais elevada nesta sub-análise porque os episódios com sarcoma em d1 são tipicamente os de internamento mais grave. O padrão relativo entre os três centros mantém-se: ULS Coimbra < IPO Lisboa < IPO Porto.
A análise de sensibilidade confirma o padrão observado: em qualquer das metodologias testadas (definição principal d1–d10, padronização por idade/sexo, ou restrição a d1), a ULS de Coimbra apresenta a mortalidade intra-hospitalar mais baixa entre os três maiores centros. Esta consistência reforça a robustez do achado descritivo, sem que isso permita inferir causalidade.
Proporção de Doentes Distintos com Óbito Intra-Hospitalar
Como indicador complementar, calculou-se a proporção de doentes distintos com pelo menos um óbito intra-hospitalar durante o período observado, restrita a doentes com pelo menos um internamento. Cada doente conta uma única vez no denominador (doentes com internamento) e uma única vez no numerador (se teve pelo menos uma alta com dsp=20), independentemente do número de internamentos.
Este indicador não deve ser interpretado como sobrevivência oncológica, mortalidade específica por sarcoma, mortalidade a um ou cinco anos, nem letalidade da doença. A BDMH não dispõe de follow-up vital completo nem de causa de morte. Um doente que sobreviva à alta e faleça posteriormente não é contabilizado.
| Hospital | Doentes com internamento | Doentes com óbito intra-hosp. | Proporção (%) |
|---|---|---|---|
| SNS Total | 5138 | 1221 | 23,76 |
| IPO Porto | 2661 | 507 | 19,05 |
| IPO Lisboa | 2135 | 352 | 16,49 |
| ULS de Coimbra | 1084 | 236 | 21,77 |
| IPO Coimbra | 411 | 76 | 18,49 |
| ULS Santo António | 487 | 60 | 12,32 |
| ULS São João | 387 | 42 | 10,85 |
Cada doente conta uma única vez em cada coluna. Este indicador não é equivalente a mortalidade oncológica, sobrevivência global nem letalidade da doença. Não é comparável com dados de registos oncológicos.
Neste indicador, a ULS de Coimbra (21,77%) situa-se entre o IPO Porto (19,05%) e o SNS total (23,76%), não sendo o centro com menor proporção. O IPO Lisboa apresenta o valor mais baixo (16,49%). Esta diferença pode reflectir, entre outros factores, diferenças no perfil de doentes referenciados (designadamente a proporção de doentes que efectuam todo o seguimento na mesma instituição), e não deve ser interpretada isoladamente como indicador de resultado clínico.
Concentração da Actividade — Centros Diferenciados
Os três maiores centros — IPO Porto, IPO Lisboa e ULS de Coimbra — concentram 69,0% de todos os episódios do SNS nos 25 anos. Esta concentração é consistente com a natureza rara e heterogénea dos sarcomas dos tecidos moles.
As diferenças de mortalidade intra-hospitalar entre centros especializados e hospitais periféricos reflectem predominantemente efeito de case-mix (estadio, histologia, comorbilidade, acesso a referenciação) e não permitem comparações directas de qualidade assistencial.
IPO Porto a laranja, IPO Lisboa a verde, ULS de Coimbra a azul. Ordenado por volume de internamentos.
ULS de Coimbra — Volume Assistencial e Mortalidade em Sarcomas dos Tecidos Moles
A ULS de Coimbra constitui o terceiro maior centro nacional em actividade hospitalar relacionada com sarcomas dos tecidos moles e o maior centro não exclusivamente oncológico. Entre os três centros de maior volume, apresenta a menor mortalidade intra-hospitalar observada nos episódios de internamento. O resultado manteve-se após padronização por idade e sexo.
A comparação é observacional, não ajustada a estadio, histologia, comorbilidade ou gravidade clínica, pelo que não permite inferir causalidade ou superioridade assistencial.
Volume e posição nacional:
- 10 556 episódios totais (16,2% do total nacional)
- 9 786 internamentos (20,5% dos internamentos nacionais de sarcoma)
- 1 084 doentes distintos com internamento
- Volume de internamentos 3,6× superior ao do quarto centro (ULS Santo António: 775 internamentos)
Mortalidade intra-hospitalar em internamentos:
| Indicador | ULS Coimbra | IPO Porto | IPO Lisboa | SNS Total |
|---|---|---|---|---|
| Mortalidade bruta (%) | 2,41 | 3,44 | 3,57 | 5,22 |
| Mortalidade padronizada idade/sexo (%) | 3,04 | 3,73 | 4,27 | — |
| Análise sensibilidade (d1, %) | 8,99 | 10,88 | 10,10 | 14,31 |
A ULS de Coimbra apresenta o menor valor em todos os indicadores calculados. A padronização por idade e sexo reduziu a diferença mas não a eliminou. As ressalvas metodológicas permanecem: este é um indicador de mortalidade intra-hospitalar, não de sobrevivência oncológica.
Coimbra: Actividade em Sarcomas dos Tecidos Moles
Dados BDMH/ACSS (2000–2024)
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Episódios totais | 10 556 |
| Internamentos | 9 786 |
| Doentes distintos com internamento | 1 084 |
| Quota internamentos nacionais | 20,5% |
| Posição no ranking (internamentos) | 3.º (após IPO Porto e IPO Lisboa) |
| Maior centro não exclusivamente oncológico | Sim |
| Mortalidade intra-hospitalar bruta (internamentos) | 2,41% |
| Mortalidade padronizada por idade/sexo | 3,04% |
| Referência nacional | 5,22% |
Fonte: BDMH/ACSS. Comparação de mortalidade intra-hospitalar não ajustada a estadio, histologia, comorbilidade ou gravidade clínica.
Informação institucional
Na ULS de Coimbra, a actividade de Oncologia Médica integrada na abordagem multidisciplinar dos sarcomas dos tecidos moles encontra-se estruturada no âmbito da unidade especializada responsável por estes tumores, que desenvolve tratamento combinado em articulação com as especialidades cirúrgicas, de imagiologia e de anatomia patológica.
Esta informação é de natureza institucional e não está contida na BDMH/ACSS.
Análise Suplementar — C54.2 (Miométrio), ICD-10, 2017–2024
O código C54.2 (neoplasia maligna do miométrio) é de interesse para o estudo dos sarcomas uterinos, nomeadamente o leiomiossarcoma uterino. Apresentado separadamente da série principal, por razões metodológicas:
C54.2identifica a localização topográfica (miométrio), mas não prova histologia sarcomatosa — não há morfologia ICD-O na BDMH- Outros sarcomas uterinos podem estar em
C54.1,C54.3,C54.8,C54.9ouC55, mas estes incluem predominantemente carcinomas e não devem ser adicionados - Em ICD-9,
182.0agrupa todo o corpo do útero sem desagregação possível - Volume reduzido: 945 episódios, 2017–2024
Total 2017–2024 (C54.2): 945 episódios · 265 doentes distintos · 25 óbitos (mortalidade bruta total 2,6%).
Em internamentos: ULS Santa Maria, IPO Lisboa e ULS de Coimbra são os centros com maior actividade registada, com volumes muito reduzidos que tornam a comparação de mortalidade pouco robusta. Interpretar com cautela.
| Hospital | Episódios | Doentes distintos | Óbitos | Mortalidade (%) |
|---|---|---|---|---|
| Outros | 391 | 134 | 10 | 2,6 |
| ULS de Coimbra | 155 | 41 | 10 | 6,5 |
| ULS Santa Maria | 148 | 27 | <5 | 1,4 |
| IPO Lisboa | 88 | 16 | <5 | 3,4 |
| IPO Porto | 61 | 20 | 0 | 0 |
| ULS São João | 43 | 6 | 0 | 0 |
| ULS Santo António | 36 | 6 | <5 | 5,6 |
| IPO Coimbra | 23 | 14 | 0 | 0 |
Análise suplementar — não integrada na série principal. C54.2 é código topográfico; histologia sarcomatosa não confirmável pela BDMH. Volumes muito reduzidos tornam a mortalidade por hospital pouco robusta.
Conclusão
A análise de 25 anos de actividade do SNS em sarcomas dos tecidos moles — com base em 65 200 episódios e 47 830 internamentos — revela um grupo de patologias raro, heterogéneo e com actividade fortemente concentrada em centros diferenciados.
O aprofundamento metodológico da análise de mortalidade é o contributo central desta versão do relatório: a mortalidade intra-hospitalar é calculada exclusivamente em episódios de internamento, o que elimina o enviesamento causado pela diferente proporção de ambulatório entre hospitais. A mortalidade nacional em internamentos é de 5,22%, substancialmente superior à mortalidade calculada sobre todos os episódios (3,8% na versão anterior), o que confirma que o indicador anterior estava artificialmente diluído.
A actividade concentra-se no IPO Porto (14 755 internamentos, 30,8%), IPO Lisboa (9 870, 20,6%) e ULS de Coimbra (9 786, 20,5%). A ULS de Coimbra é o terceiro maior centro nacional e o maior centro não exclusivamente oncológico.
Entre estes três centros de maior volume, a ULS de Coimbra apresenta a menor mortalidade intra-hospitalar em internamentos — 2,41% (bruta) e 3,04% (padronizada por idade e sexo), face a 3,44%/3,73% no IPO Porto e 3,57%/4,27% no IPO Lisboa. O padrão mantém-se na análise de sensibilidade restrita ao diagnóstico principal. Esta comparação é observacional, não está ajustada a estadio, histologia, comorbilidade ou gravidade clínica, e não permite inferir causalidade ou superioridade assistencial.
A ausência de ICD-O na BDMH permanece a limitação central: os 65 200 episódios representam um limite inferior da actividade real em sarcomas, e nenhum indicador de sobrevivência oncológica, mortalidade específica por sarcoma ou outcome clínico pode ser derivado destes dados.
Metodologia
Fonte: BDMH/ACSS — episódios de internamento e ambulatório no SNS, 2000–2024 (38,5 M episódios).
Definição operacional: diagnóstico em qualquer posição (d1–d10). ICD-9-CM: 171.x, 158.0, 164.1, 187.6. ICD-10-CM: C49.x excluindo C49A.x (GIST), C47.x, C48.0, C38.0, C63.1x, C22.3, C22.4.
Mortalidade intra-hospitalar: calculada exclusivamente sobre episódios de internamento (tipo_port_apr31 = 'Int'). Numerador = altas com dsp=20. Denominador = total de internamentos. O ambulatório é excluído de todos os cálculos de mortalidade.
Padronização: padronização directa por idade (9 grupos) e sexo, usando a distribuição nacional de internamentos de sarcoma como população padrão. Não ajusta estadio, histologia, comorbilidade ou gravidade clínica.
Análise de sensibilidade (d1): restringe o denominador a internamentos com sarcoma como diagnóstico principal. Não substitui a definição d1–d10.
Proporção de doentes com óbito: cada doente conta uma vez no denominador (teve internamento) e uma vez no numerador (teve óbito intra-hospitalar). Não é equivalente a mortalidade oncológica, sobrevivência global, letalidade ou mortalidade a 1 ou 5 anos.
O que este relatório NÃO mede: sobrevivência global, mortalidade oncológica específica, sobrevivência a 1 ou 5 anos, mortalidade após a alta, outcome clínico.
Sarcomas não identificáveis: sarcomas da mama, útero (maioria), próstata, rim, bexiga e outras localizações viscerais. Os totais são estimativa conservadora.
Rupturas de série: (1) 2000–2006: linkage parcial; (2) 2007: entrada ambulatórios; (3) 2013: redefinição internamento; (4) 2020: COVID-19.
Verificações realizadas: (a) GIST excluídos em ICD-10; (b) C54.2 miométrio presente como suplementar; (c) C63.1x incluído; (d) C22.3/C22.4 incluídos; (e) tumores ósseos excluídos; (f) Kaposi excluído e não discutido; (g) mortalidade calculada exclusivamente em internamentos; (h) ambulatório excluído do denominador; (i) padronização por idade/sexo calculada; (j) análise de sensibilidade d1 presente; (k) proporção de doentes com óbito claramente distinguida da mortalidade por episódio; (l) nenhuma afirmação de sobrevivência oncológica; (m) nenhum profissional identificado nominalmente.