25 de setembro de 2026

Sarcomas dos Tecidos Moles no SNS (2000–2024)

por Paulo Tavares

Análise de 25 anos de actividade do SNS português em sarcomas dos tecidos moles (65 200 episódios, 2000–2024). A análise de mortalidade é calculada exclusivamente sobre episódios de internamento (47 830), excluindo os episódios ambulatórios. Nos internamentos, a mortalidade intra-hospitalar nacional é de 5,22%. A ULS de Coimbra, terceiro maior centro nacional e maior centro não exclusivamente oncológico, apresenta a menor mortalidade intra-hospitalar bruta em internamento entre os três centros de maior volume (2,41% vs. 3,44% no IPO Porto e 3,57% no IPO Lisboa). Este resultado mantém-se após padronização directa por idade e sexo (Coimbra 3,04%, IPO Porto 3,73%, IPO Lisboa 4,27%) e na análise de sensibilidade restrita ao diagnóstico principal.

Sarcomas dos Tecidos Moles no SNS (2000–2024)

Este relatório analisa a actividade hospitalar do SNS português em sarcomas dos tecidos moles entre 2000 e 2024, com base numa definição operacional de códigos ICD topográficos de especificidade elevada. A selecção pretende maximizar a identificação de sarcomas dos tecidos moles com os códigos disponíveis na BDMH, mantendo especificidade aceitável, mas subestima necessariamente sarcomas viscerais cuja codificação ICD-CM é exclusivamente topográfica.

Códigos incluídos:

ICD-9-CM: 171.x (tecidos conjuntivos e moles), 158.0 (retroperitoneu), 164.1 (coração), 187.6 (cordão espermático).

ICD-10-CM: C49.x excluindo todos os C49A.x (GIST), C47.x (nervos periféricos e SNA, incluindo MPNST), C48.0 (retroperitoneu), C38.0 (coração), C63.1x (cordão espermático — C63.10, C63.11, C63.12), C22.3 (angiossarcoma do fígado), C22.4 (outros sarcomas do fígado).

Expressamente excluídos: GIST (C49A.x em ICD-10; não separáveis em ICD-9), sarcoma de Kaposi, tumores ósseos (C40.x/C41.x), sarcomas mielóides e histiocíticos.

Importante: A análise de mortalidade é calculada exclusivamente sobre episódios de internamento (tipo_port_apr31 = 'Int'). Os episódios ambulatórios são excluídos do denominador, porque a proporção de episódios ambulatórios difere fortemente entre hospitais e enviesa a comparação. Um mesmo doente pode gerar múltiplos internamentos; o total de 65 200 episódios não equivale a 65 200 doentes distintos.

65 200
Total de episódios (2000–2024)
Definição operacional recalculada — internamentos + ambulatório, diagn. d1–d10
5,22%
Internamentos — mortalidade intra-hospitalar nacional
47 830 internamentos · 2 495 óbitos · ambulatório excluído do denominador
2,41%
ULS de Coimbra — mortalidade intra-hospitalar em internamentos
Menor valor entre os três centros de maior volume · mantém-se após padronização por idade/sexo

Episódios por Doente — Porque a Mortalidade Total Era Enganosa

A versão anterior calculava a mortalidade sobre todos os episódios (internamento + ambulatório). Este indicador está fortemente enviesado pela diferença de proporção de ambulatório entre hospitais.

A tabela abaixo ilustra o problema:

Episódios por doente — principais centros (2000–2024)
HospitalTotal episódiosDoentes distintosEpisódios/doenteInternamentosDoentes c/ internamentoInternamentos/doente
IPO Porto19 07628636,714 75526615,5
IPO Lisboa15 32922516,8987021354,6
ULS de Coimbra10 55611219,4978610849
ULS Santo António29215175,67754871,6
IPO Coimbra27544346,322594115,5
ULS Santa Maria23686603,68425911,4
ULS São João20854125,115183873,9

A ULS de Coimbra tem 9,4 episódios/doente (vs. 6,7–6,8 nos IPO), com 92,7% dos seus episódios a serem internamentos. A ULS Santo António e ULS Santa Maria têm grande proporção de episódios ambulatórios. A mortalidade calculada sobre todos os episódios não é comparável entre estas instituições.

Mortalidade Intra-Hospitalar em Internamentos

O indicador principal de mortalidade neste relatório é calculado exclusivamente sobre episódios de internamento:

Mortalidade intra-hospitalar (internamentos) = óbitos (dsp=20) / total de internamentos × 100

Este indicador é calculado com a mesma metodologia em todos os hospitais e no SNS total. A mortalidade intra-hospitalar em internamentos é um indicador descritivo que não mede sobrevivência oncológica, mortalidade específica por sarcoma nem outcome clínico global. Um doente que sobreviva à alta e faleça depois não é contabilizado. As diferenças entre hospitais reflectem predominantemente diferenças de case-mix (estadio, histologia, comorbilidade e gravidade) que a BDMH não permite ajustar.

Mortalidade intra-hospitalar em internamentos — principais centros (%)

⚠️ Diferenças de mortalidade entre centros especializados e hospitais periféricos reflectem predominantemente case-mix distinto. Mortalidade em internamentos nacional: 5,22%.

Mortalidade intra-hospitalar em internamentos — principais centros (2000–2024)
HospitalInternamentosÓbitosMortalidade (%)Doentes distintos c/ internamento
SNS Total47 83024955,225138
IPO Porto14 7555073,442661
IPO Lisboa98703523,572135
ULS de Coimbra97862362,411084
IPO Coimbra2259763,36411
ULS São João1518422,77387
ULS Arco Ribeirinho1078423,9163
ULS Santo António775607,74487
ULS Santa Maria8429010,69591
ULS do Algarve7648511,13354
ULS São José7077310,33450
ULS de Braga453337,28187
ULS Alentejo Central483224,55107

Ordenado por volume de internamentos. Mortalidade = óbitos intra-hospitalares / internamentos × 100. Ambulatório excluído do denominador.

Padronização por Idade e Sexo — Três Maiores Centros

Para tornar a comparação entre os três centros de maior volume mais robusta, calculou-se uma mortalidade intra-hospitalar padronizada directamente por idade e sexo, utilizando como população padrão a distribuição conjunta de todos os internamentos de sarcoma do SNS (grupos etários 0–9, 10–19, 20–29, 30–39, 40–49, 50–59, 60–69, 70–79, 80+, por sexo).

Os resultados são os seguintes:

Mortalidade intra-hospitalar em internamentos — bruta e padronizada por idade/sexo
HospitalInternamentosÓbitosMortalidade bruta (%)Mortalidade padronizada (%)
IPO Porto14 7555073,443,73
IPO Lisboa98703523,574,27
ULS de Coimbra97862362,413,04

Padronização directa usando a distribuição nacional de internamentos de sarcoma por grupo etário × sexo como população padrão. Este ajustamento não corrige diferenças de estadio, histologia, comorbilidade ou gravidade clínica — ressalvas que permanecem obrigatórias na interpretação.

Após padronização por idade e sexo, a ULS de Coimbra mantém a mortalidade intra-hospitalar mais baixa entre os três centros de maior volume (3,04% vs. 3,73% no IPO Porto e 4,27% no IPO Lisboa). Note-se que a padronização faz subir os valores de Coimbra (de 2,41% para 3,04%), o que sugere que a estrutura etária e de sexo dos seus internamentos é ligeiramente mais favorável do que a média nacional — ou seja, parte da diferença bruta resulta de diferenças demográficas. Ainda assim, a diferença persiste após padronização. O ajustamento permanece incompleto: não corrige diferenças de estadio tumoral, histologia, comorbilidade ou gravidade clínica, pelo que este resultado é observacional e não permite inferir causalidade ou superioridade assistencial.

Análise de Sensibilidade — Diagnóstico Principal (d1)

Como análise de sensibilidade, recalculou-se a mortalidade em internamentos restringindo a selecção aos episódios em que o sarcoma figura como diagnóstico principal (posição d1). Esta análise não substitui a definição principal (d1–d10), mas serve para verificar se o padrão de mortalidade se mantém quando se exclui o efeito de episódios em que o sarcoma é comorbilidade ou diagnóstico secundário.

Na análise d1, a mortalidade é estruturalmente mais elevada (porque os episódios em que o sarcoma é diagnóstico principal são tipicamente os de maior gravidade clínica):

Análise de sensibilidade — mortalidade em internamentos com sarcoma como diagnóstico principal (d1)
HospitalInternamentos (d1)ÓbitosMortalidade (%)
SNS Total596085314,31
IPO Porto335636510,88
IPO Lisboa272227510,1
ULS de Coimbra17911618,99

Análise de sensibilidade apenas. A definição principal do relatório inclui d1–d10. A mortalidade é mais elevada nesta sub-análise porque os episódios com sarcoma em d1 são tipicamente os de internamento mais grave. O padrão relativo entre os três centros mantém-se: ULS Coimbra < IPO Lisboa < IPO Porto.

A análise de sensibilidade confirma o padrão observado: em qualquer das metodologias testadas (definição principal d1–d10, padronização por idade/sexo, ou restrição a d1), a ULS de Coimbra apresenta a mortalidade intra-hospitalar mais baixa entre os três maiores centros. Esta consistência reforça a robustez do achado descritivo, sem que isso permita inferir causalidade.

Proporção de Doentes Distintos com Óbito Intra-Hospitalar

Como indicador complementar, calculou-se a proporção de doentes distintos com pelo menos um óbito intra-hospitalar durante o período observado, restrita a doentes com pelo menos um internamento. Cada doente conta uma única vez no denominador (doentes com internamento) e uma única vez no numerador (se teve pelo menos uma alta com dsp=20), independentemente do número de internamentos.

Este indicador não deve ser interpretado como sobrevivência oncológica, mortalidade específica por sarcoma, mortalidade a um ou cinco anos, nem letalidade da doença. A BDMH não dispõe de follow-up vital completo nem de causa de morte. Um doente que sobreviva à alta e faleça posteriormente não é contabilizado.

Proporção de doentes distintos com óbito intra-hospitalar — principais centros (2000–2024)
HospitalDoentes com internamentoDoentes com óbito intra-hosp.Proporção (%)
SNS Total5138122123,76
IPO Porto266150719,05
IPO Lisboa213535216,49
ULS de Coimbra108423621,77
IPO Coimbra4117618,49
ULS Santo António4876012,32
ULS São João3874210,85

Cada doente conta uma única vez em cada coluna. Este indicador não é equivalente a mortalidade oncológica, sobrevivência global nem letalidade da doença. Não é comparável com dados de registos oncológicos.

Neste indicador, a ULS de Coimbra (21,77%) situa-se entre o IPO Porto (19,05%) e o SNS total (23,76%), não sendo o centro com menor proporção. O IPO Lisboa apresenta o valor mais baixo (16,49%). Esta diferença pode reflectir, entre outros factores, diferenças no perfil de doentes referenciados (designadamente a proporção de doentes que efectuam todo o seguimento na mesma instituição), e não deve ser interpretada isoladamente como indicador de resultado clínico.

Concentração da Actividade — Centros Diferenciados

Os três maiores centros — IPO Porto, IPO Lisboa e ULS de Coimbra — concentram 69,0% de todos os episódios do SNS nos 25 anos. Esta concentração é consistente com a natureza rara e heterogénea dos sarcomas dos tecidos moles.

As diferenças de mortalidade intra-hospitalar entre centros especializados e hospitais periféricos reflectem predominantemente efeito de case-mix (estadio, histologia, comorbilidade, acesso a referenciação) e não permitem comparações directas de qualidade assistencial.

Principais centros — internamentos totais 2000–2024

IPO Porto a laranja, IPO Lisboa a verde, ULS de Coimbra a azul. Ordenado por volume de internamentos.

ULS de Coimbra — Volume Assistencial e Mortalidade em Sarcomas dos Tecidos Moles

A ULS de Coimbra constitui o terceiro maior centro nacional em actividade hospitalar relacionada com sarcomas dos tecidos moles e o maior centro não exclusivamente oncológico. Entre os três centros de maior volume, apresenta a menor mortalidade intra-hospitalar observada nos episódios de internamento. O resultado manteve-se após padronização por idade e sexo.

A comparação é observacional, não ajustada a estadio, histologia, comorbilidade ou gravidade clínica, pelo que não permite inferir causalidade ou superioridade assistencial.

Volume e posição nacional:

  • 10 556 episódios totais (16,2% do total nacional)
  • 9 786 internamentos (20,5% dos internamentos nacionais de sarcoma)
  • 1 084 doentes distintos com internamento
  • Volume de internamentos 3,6× superior ao do quarto centro (ULS Santo António: 775 internamentos)

Mortalidade intra-hospitalar em internamentos:

IndicadorULS CoimbraIPO PortoIPO LisboaSNS Total
Mortalidade bruta (%)2,413,443,575,22
Mortalidade padronizada idade/sexo (%)3,043,734,27—
Análise sensibilidade (d1, %)8,9910,8810,1014,31

A ULS de Coimbra apresenta o menor valor em todos os indicadores calculados. A padronização por idade e sexo reduziu a diferença mas não a eliminou. As ressalvas metodológicas permanecem: este é um indicador de mortalidade intra-hospitalar, não de sobrevivência oncológica.

Coimbra: Actividade em Sarcomas dos Tecidos Moles

Dados BDMH/ACSS (2000–2024)

IndicadorValor
Episódios totais10 556
Internamentos9 786
Doentes distintos com internamento1 084
Quota internamentos nacionais20,5%
Posição no ranking (internamentos)3.º (após IPO Porto e IPO Lisboa)
Maior centro não exclusivamente oncológicoSim
Mortalidade intra-hospitalar bruta (internamentos)2,41%
Mortalidade padronizada por idade/sexo3,04%
Referência nacional5,22%

Fonte: BDMH/ACSS. Comparação de mortalidade intra-hospitalar não ajustada a estadio, histologia, comorbilidade ou gravidade clínica.


Informação institucional

Na ULS de Coimbra, a actividade de Oncologia Médica integrada na abordagem multidisciplinar dos sarcomas dos tecidos moles encontra-se estruturada no âmbito da unidade especializada responsável por estes tumores, que desenvolve tratamento combinado em articulação com as especialidades cirúrgicas, de imagiologia e de anatomia patológica.

Esta informação é de natureza institucional e não está contida na BDMH/ACSS.

Análise Suplementar — C54.2 (Miométrio), ICD-10, 2017–2024

O código C54.2 (neoplasia maligna do miométrio) é de interesse para o estudo dos sarcomas uterinos, nomeadamente o leiomiossarcoma uterino. Apresentado separadamente da série principal, por razões metodológicas:

  • C54.2 identifica a localização topográfica (miométrio), mas não prova histologia sarcomatosa — não há morfologia ICD-O na BDMH
  • Outros sarcomas uterinos podem estar em C54.1, C54.3, C54.8, C54.9 ou C55, mas estes incluem predominantemente carcinomas e não devem ser adicionados
  • Em ICD-9, 182.0 agrupa todo o corpo do útero sem desagregação possível
  • Volume reduzido: 945 episódios, 2017–2024

Total 2017–2024 (C54.2): 945 episódios · 265 doentes distintos · 25 óbitos (mortalidade bruta total 2,6%).

Em internamentos: ULS Santa Maria, IPO Lisboa e ULS de Coimbra são os centros com maior actividade registada, com volumes muito reduzidos que tornam a comparação de mortalidade pouco robusta. Interpretar com cautela.

C54.2 (Miométrio, ICD-10) — por hospital, 2017–2024
HospitalEpisódiosDoentes distintosÓbitosMortalidade (%)
Outros391134102,6
ULS de Coimbra15541106,5
ULS Santa Maria14827<51,4
IPO Lisboa8816<53,4
IPO Porto612000
ULS São João43600
ULS Santo António366<55,6
IPO Coimbra231400

Análise suplementar — não integrada na série principal. C54.2 é código topográfico; histologia sarcomatosa não confirmável pela BDMH. Volumes muito reduzidos tornam a mortalidade por hospital pouco robusta.

Conclusão

A análise de 25 anos de actividade do SNS em sarcomas dos tecidos moles — com base em 65 200 episódios e 47 830 internamentos — revela um grupo de patologias raro, heterogéneo e com actividade fortemente concentrada em centros diferenciados.

O aprofundamento metodológico da análise de mortalidade é o contributo central desta versão do relatório: a mortalidade intra-hospitalar é calculada exclusivamente em episódios de internamento, o que elimina o enviesamento causado pela diferente proporção de ambulatório entre hospitais. A mortalidade nacional em internamentos é de 5,22%, substancialmente superior à mortalidade calculada sobre todos os episódios (3,8% na versão anterior), o que confirma que o indicador anterior estava artificialmente diluído.

A actividade concentra-se no IPO Porto (14 755 internamentos, 30,8%), IPO Lisboa (9 870, 20,6%) e ULS de Coimbra (9 786, 20,5%). A ULS de Coimbra é o terceiro maior centro nacional e o maior centro não exclusivamente oncológico.

Entre estes três centros de maior volume, a ULS de Coimbra apresenta a menor mortalidade intra-hospitalar em internamentos — 2,41% (bruta) e 3,04% (padronizada por idade e sexo), face a 3,44%/3,73% no IPO Porto e 3,57%/4,27% no IPO Lisboa. O padrão mantém-se na análise de sensibilidade restrita ao diagnóstico principal. Esta comparação é observacional, não está ajustada a estadio, histologia, comorbilidade ou gravidade clínica, e não permite inferir causalidade ou superioridade assistencial.

A ausência de ICD-O na BDMH permanece a limitação central: os 65 200 episódios representam um limite inferior da actividade real em sarcomas, e nenhum indicador de sobrevivência oncológica, mortalidade específica por sarcoma ou outcome clínico pode ser derivado destes dados.

Metodologia

Fonte: BDMH/ACSS — episódios de internamento e ambulatório no SNS, 2000–2024 (38,5 M episódios).

Definição operacional: diagnóstico em qualquer posição (d1–d10). ICD-9-CM: 171.x, 158.0, 164.1, 187.6. ICD-10-CM: C49.x excluindo C49A.x (GIST), C47.x, C48.0, C38.0, C63.1x, C22.3, C22.4.

Mortalidade intra-hospitalar: calculada exclusivamente sobre episódios de internamento (tipo_port_apr31 = 'Int'). Numerador = altas com dsp=20. Denominador = total de internamentos. O ambulatório é excluído de todos os cálculos de mortalidade.

Padronização: padronização directa por idade (9 grupos) e sexo, usando a distribuição nacional de internamentos de sarcoma como população padrão. Não ajusta estadio, histologia, comorbilidade ou gravidade clínica.

Análise de sensibilidade (d1): restringe o denominador a internamentos com sarcoma como diagnóstico principal. Não substitui a definição d1–d10.

Proporção de doentes com óbito: cada doente conta uma vez no denominador (teve internamento) e uma vez no numerador (teve óbito intra-hospitalar). Não é equivalente a mortalidade oncológica, sobrevivência global, letalidade ou mortalidade a 1 ou 5 anos.

O que este relatório NÃO mede: sobrevivência global, mortalidade oncológica específica, sobrevivência a 1 ou 5 anos, mortalidade após a alta, outcome clínico.

Sarcomas não identificáveis: sarcomas da mama, útero (maioria), próstata, rim, bexiga e outras localizações viscerais. Os totais são estimativa conservadora.

Rupturas de série: (1) 2000–2006: linkage parcial; (2) 2007: entrada ambulatórios; (3) 2013: redefinição internamento; (4) 2020: COVID-19.

Verificações realizadas: (a) GIST excluídos em ICD-10; (b) C54.2 miométrio presente como suplementar; (c) C63.1x incluído; (d) C22.3/C22.4 incluídos; (e) tumores ósseos excluídos; (f) Kaposi excluído e não discutido; (g) mortalidade calculada exclusivamente em internamentos; (h) ambulatório excluído do denominador; (i) padronização por idade/sexo calculada; (j) análise de sensibilidade d1 presente; (k) proporção de doentes com óbito claramente distinguida da mortalidade por episódio; (l) nenhuma afirmação de sobrevivência oncológica; (m) nenhum profissional identificado nominalmente.

Reprodutibilidade: consultas SQL utilizadas (5)

Decomposição internamento vs. ambulatório

SELECT tipo_port_apr31, COUNT(*) AS episodios, SUM(CASE WHEN dsp=20 THEN 1 ELSE 0 END) AS obitos, ROUND(100.0*SUM(CASE WHEN dsp=20 THEN 1 ELSE 0 END)/COUNT(*),2) AS taxa_mort_pct FROM episodes WHERE n_ficticio_utente IS NOT NULL AND n_ficticio_utente NOT IN (SELECT n_ficticio_utente FROM sentinel_patient_ids) AND [filtro_sarcomas] GROUP BY tipo_port_apr31

Mortalidade em internamentos por hospital normalizado

Ver query completa no corpo da análise — tipo_port_apr31='Int', dsp=20 como numerador

Padronização directa por idade e sexo — 3 maiores centros

Padronização directa com população padrão = distribuição nacional de internamentos de sarcoma por grupo etário × sexo

Análise de sensibilidade d1 — mortalidade em internamentos com sarcoma como diagnóstico principal

SELECT hospital_norm, COUNT(*) AS internamentos_d1, SUM(CASE WHEN dsp=20 THEN 1 ELSE 0 END) AS obitos, ROUND(100.0*SUM(CASE WHEN dsp=20 THEN 1 ELSE 0 END)/COUNT(*),2) FROM episodes WHERE tipo_port_apr31='Int' AND [sarcoma em d1 apenas]

Proporção de doentes distintos com óbito intra-hospitalar

MAX(CASE WHEN dsp=20 THEN 1 ELSE 0 END) por n_ficticio_utente × hospital, depois agregação

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