13 de agosto de 2026

Miocardite em Portugal: Internamentos, Letalidade e Gravidade por Faixa Etária e Sexo (2000–2024)

por Pedro Almeida Vieira

Entre 2000 e 2024, os internamentos por miocardite nos hospitais do SNS português mais do que duplicaram, atingindo um máximo histórico de 561 episódios em 2022. O aumento é particularmente expressivo nas faixas etárias mais jovens — adolescentes dos 12 aos 17 anos e adultos jovens dos 18 aos 30 anos —, com um pico sem precedente a partir de 2021 que coincide com o arranque da vacinação em massa contra a COVID-19, embora a infecção pelo SARS-CoV-2 seja ela própria uma causa conhecida de miocardite. A demora média de internamento nas faixas jovens diminuiu no mesmo período, sugerindo que os casos adicionais são em média menos graves, sem aumento da letalidade intra-hospitalar.

Internamentos por Miocardite no SNS Português (2000–2024)

Este relatório analisa a evolução dos internamentos hospitalares com diagnóstico principal de miocardite aguda nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde português, no período de 2000 a 2024, desagregados por faixa etária, sexo, número de óbitos, taxa de letalidade intra-hospitalar e demora média de internamento como indicador de gravidade clínica.

O contexto de partida é a análise dos dados disponíveis sobre reacções adversas a vacinas víricas (código T50B95A) na BDMH, que revelou um número muito reduzido de episódios codificados — 127 no pico de 2021 —, justificando uma abordagem complementar pela patologia directamente associada: a miocardite.

561
Máximo histórico de internamentos
Registado em 2022 — o dobro da média do período 2015–2019 (358/ano)
×5
Aumento nos adolescentes (12–17 anos, masculino)
De uma média de ~8/ano (2000–2019) para 45 casos em 2023
<1%
Letalidade intra-hospitalar (12–30 anos, 2021–2024)
Apesar do forte aumento de internamentos, a gravidade não aumentou nas faixas jovens

Tendência global dos internamentos por miocardite

Os internamentos por miocardite no SNS apresentam uma tendência de crescimento secular desde 2000, que se acelera marcadamente a partir de 2021. Em 2000 registavam-se 69 internamentos; em 2022 atingiu-se o valor máximo de 561. Mesmo excluindo o pico pandémico/pós-vacinal, a tendência de longo prazo é ascendente, em parte explicada pela crescente capacidade diagnóstica (generalização da ressonância magnética cardíaca) e maior sensibilização clínica para a patologia.

Note-se a quebra de 2020 (281 internamentos), consistente com a contracção geral da actividade hospitalar durante o confinamento e a redução da circulação de vírus respiratórios.

Ruptura de série: 2007 marca a entrada de linhas ambulatórias no extracto; neste relatório filtra-se exclusivamente para internamentos (tipo_port_apr31='Int'), pelo que a comparabilidade é mantida em toda a série.

Internamentos por miocardite por grupo etário — SNS, 2000–2024

Fonte: BDMH/ACSS. Internamentos SNS. Diagnóstico principal: miocardite aguda (ICD-9: 422x; ICD-10: I40x, I41, I514, B3322). Excluídos sexo indeterminado.

Detalhe por faixa etária e sexo: internamentos e óbitos

A tabela seguinte apresenta, para cada ano, o número de internamentos (N) e de óbitos (Ob) por faixa etária e sexo. A taxa de letalidade é calculada como óbitos/internamentos × 100.

Leitura transversal: a predominância masculina é estrutural em todas as idades e anos — tipicamente 3 a 5 homens por cada mulher nas faixas jovens, padrão consistente com a fisiopatologia conhecida da miocardite. A letalidade aumenta claramente com a idade, sendo praticamente nula abaixo dos 30 anos.

Internamentos e óbitos por miocardite — faixas 12–17 anos e 18–30 anos, por sexo, 2000–2024
AnoM 12-17 NM 12-17 ObM 12-17 Let.%F 12-17 NF 12-17 ObF 12-17 Let.%M 18-30 NM 18-30 ObM 18-30 Let.%F 18-30 NF 18-30 ObF 18-30 Let.%
2000200,0%002100,0%200,0%
20011100,0%003200,0%100,0%
2002300,0%002800,0%200,0%
2003100,0%003200,0%100,0%
2004500,0%100,0%4500,0%700,0%
2005700,0%004300,0%600,0%
2006500,0%2150,0%5500,0%700,0%
20071300,0%100,0%4712,1%400,0%
2008300,0%007022,9%700,0%
20091000,0%300,0%5300,0%1000,0%
2010600,0%100,0%6800,0%10110,0%
2011200,0%100,0%6900,0%1300,0%
2012900,0%100,0%7400,0%600,0%
2013800,0%100,0%8300,0%2100,0%
20141000,0%100,0%9600,0%1900,0%
2015900,0%009200,0%2800,0%
20161400,0%100,0%11000,0%2514,0%
20171900,0%300,0%9500,0%2200,0%
20181300,0%400,0%10400,0%1900,0%
20191400,0%300,0%12900,0%2600,0%
20201715,9%400,0%7500,0%2000,0%
20213100,0%300,0%14700,0%3900,0%
20223800,0%700,0%21300,0%4012,5%
20234500,0%500,0%15000,0%3200,0%
20242700,0%400,0%16810,6%2600,0%

M=Masculino; F=Feminino; Ob=Óbitos intra-hospitalares (dsp=20); Let.=Letalidade intra-hospitalar.

Internamentos e óbitos por miocardite — faixas 31–50 anos, 51–65 anos e >65 anos, por sexo, 2000–2024
AnoM 31-50 NM 31-50 ObM 31-50 Let.%F 31-50 NF 31-50 ObF 31-50 Let.%M 51-65 NM 51-65 ObM 51-65 Let.%F 51-65 NF 51-65 ObF 51-65 Let.%M >65 NM >65 ObM >65 Let.%F >65 NF >65 ObF >65 Let.%
20001700,0%11100%400,0%400,0%5120,0%3133,3%
20012800,0%300,0%300,0%4125,0%400,0%10330,0%
20022214,5%5120,0%600,0%400,0%200,0%300,0%
20032700,0%400,0%100,0%500,0%600,0%5120,0%
20044500,0%700,0%800,0%200,0%4125,0%900,0%
20055400,0%10110,0%400,0%100,0%600,0%500,0%
20065400,0%1100,0%700,0%200,0%600,0%400,0%
20077200,0%1700,0%9222,2%300,0%600,0%9222,2%
20087611,3%1200,0%900,0%1119,1%7114,3%400,0%
20097200,0%1516,7%1218,3%1000,0%1516,7%1300,0%
20106711,5%1815,6%1400,0%800,0%7228,6%1100,0%
20118811,1%1815,6%1800,0%1400,0%9111,1%1600,0%
20127900,0%2114,8%1700,0%1900,0%1417,1%1715,9%
20139100,0%2500,0%2900,0%2129,5%14428,6%2000,0%
201410200,0%2913,4%1300,0%1317,7%800,0%2015,0%
201510610,9%3213,1%2913,4%1000,0%700,0%1616,3%
201611800,0%2600,0%2300,0%1815,6%17317,6%1700,0%
201712500,0%3013,3%2100,0%1900,0%800,0%2400,0%
20188200,0%2200,0%2900,0%1218,3%1417,1%2300,0%
201910100,0%3400,0%2700,0%1500,0%1317,7%1600,0%
20206900,0%3000,0%2129,5%1100,0%1516,7%1700,0%
202110810,9%2700,0%3126,5%1100,0%10220,0%1915,3%
202213200,0%4212,4%2414,2%1900,0%2129,5%1616,3%
202315210,7%2900,0%3100,0%1300,0%1915,3%2100,0%
202414000,0%3313,0%3512,9%2300,0%2428,3%1715,9%

M=Masculino; F=Feminino; Ob=Óbitos intra-hospitalares (dsp=20); Let.=Letalidade intra-hospitalar. Valores instáveis para N<10.

Demora média de internamento como indicador de gravidade

A demora média de internamento é utilizada como proxy da gravidade clínica dos episódios. Um encurtamento da demora média, em simultâneo com o aumento do número de internamentos, é interpretável como uma maior proporção de casos ligeiros a serem identificados e internados — fenómeno coerente com maior sensibilização clínica e diagnóstica.

A tabela seguinte apresenta a demora média (em dias) para as faixas com maior volume e relevância clínica no período.

Demora média de internamento por miocardite (dias) — faixas 12–17 e 18–30 anos, por sexo, 2000–2024
AnoM 12-17 (dias)F 12-17 (dias)M 18-30 (dias)F 18-30 (dias)Média global (dias)
200011712,57,1
20016,36,2167,3
200297,29,57,2
200366,1167,5
20045106,777,2
20053,758,26,6
20066,445,35,46,6
20074,925,66,56,2
200855,856,4
20093,8655,36,7
2010544,55,76,1
20111,5655,56,1
20124,845,86,56,2
20135,124,74,36
20144,285,15,75,7
20154,35,36,35,6
201616,2455,36,1
20174,225,15,35,2
201810,63,34,75,16,2
20197,245,44,85,9
20209,54,35,54,16,6
20213,74,34,54,55,1
20224,64,94,84,35,8
20233,63,44,54,25,8
20244,75,54,53,95,5

Excluídos episódios com dias_int = -1 (sentinela). Null = sem casos nesse ano/sexo.

Demora média de internamento por miocardite — homens 12-17 anos e 18-30 anos, 2000–2024

Faixas com N reduzido (12-17 anos) produzem maior variabilidade inter-anual.

Contexto: reacções adversas a vacinas víricas (T50B95A)

A análise teve origem na pesquisa do código ICD-10-CM T50B95A«Efeito adverso de outras vacinas víricas, admissão inicial» —, o único código disponível na BDMH para registar reacções adversas a vacinas víricas, incluindo a vacina contra a COVID-19 (não existe código específico e exclusivo para esta vacina na versão utilizada pelo SNS).

Os resultados revelaram volumes muito reduzidos: 127 episódios em 2021 (ano de pico), sempre como diagnóstico secundário e nunca como diagnóstico principal. Os diagnósticos principais mais frequentes nesses episódios foram miocardite/pericardite aguda, síndrome de Guillain-Barré, trombocitopenia imune, rabdomiólise e encefalomielite pós-imunização — patologias clínica e farmacologicamente consistentes com as reacções adversas descritas pelas autoridades reguladoras europeias (EMA/INFARMED) para as vacinas de mRNA e de vector viral.

Foram identificados 4 óbitos com T50B95A como diagnóstico secundário entre 2021 e 2024, com diagnósticos principais de endocardite, enfarte do baço, insuficiência renal aguda e reacção anafiláctica. A reduzida dimensão da amostra não permite conclusões estatísticas.

Limitações desta abordagem directa: (1) impossibilidade de distinguir a vacina COVID-19 de outras vacinas víricas pelo código T50B95A; (2) subcodificação provável — o codificador clínico tem de decidir activamente registar a vacina como causa; (3) ausência de dados de vacinação por coorte etária na BDMH, impossibilitando o cálculo de taxas de incidência.

A análise da miocardite como patologia directamente observável oferece uma perspectiva mais robusta, apresentada nas secções anteriores deste relatório.

Principais conclusões

  1. Tendência secular ascendente (2000–2024): os internamentos por miocardite cresceram de 69 (2000) para um máximo de 561 (2022), com uma tendência de longo prazo que antecede largamente o contexto pandémico e vacinal. Parte deste crescimento reflecte melhorias diagnósticas (ressonância magnética cardíaca).

  2. Pico expressivo em 2021–2022: o número de internamentos em 2022 é o dobro da média do quinquénio 2015–2019 (358). O aumento é transversal a todas as faixas etárias, mas desproporcional nas mais jovens.

  3. Sinal mais forte nos adolescentes (12–17 anos masculino): passa de uma média de ~8 casos/ano (2000–2019) para 31 (2021), 38 (2022), 45 (2023) e 27 (2024) — aproximadamente 5 vezes a média histórica. Esta é a faixa onde a miocardite pós-vacina de mRNA foi mais assinalada pela literatura científica e pelas agências reguladoras europeias.

  4. Sem aumento da letalidade nas faixas jovens: a letalidade intra-hospitalar nos grupos 12–17 e 18–30 anos permanece inferior a 1% em todo o período 2021–2024, sem ruptura face ao período anterior. O único óbito em 12–17 anos registou-se em 2020, antes do início da vacinação.

  5. Casos mais ligeiros em média: a demora média de internamento nas faixas jovens diminuiu no período 2021–2024 face à média de 2015–2019 (de ~6,5 para ~4,2 dias nos rapazes de 12–17 anos; de ~5,1 para ~4,6 dias nos homens de 18–30 anos). Este padrão sugere que parte do aumento de internamentos resulta de formas menos graves, identificadas por maior vigilância clínica.

  6. Predominância masculina estrutural: em todas as faixas e anos, os homens representam 70–80% dos internamentos por miocardite, padrão fisiopatologicamente consistente.

  7. Atribuição causal impossível com esta fonte: os dados da BDMH não permitem distinguir miocardite associada a infecção por SARS-CoV-2, miocardite pós-vacinal ou miocardite de outras etiologias. Para tal seria necessário cruzar com dados de vacinação individuais e registos de infecção COVID-19, que não estão disponíveis na BDMH.

Metodologia

Fonte: Base de Dados de Morbilidade Hospitalar (BDMH), ACSS — episódios de internamento nos hospitais do SNS português, 2000–2024.

Filtros aplicados:

  • Tipo de produção: exclusivamente internamentos (tipo_port_apr31 = 'Int').
  • Diagnóstico principal de miocardite: ICD-9-CM códigos 422x (miocardite aguda) e 4290; ICD-10-CM/PCS códigos I40x (miocardite aguda), I41 (miocardite em doenças classificadas noutra parte), I514 (miocardite não especificada) e B3322 (miocardite viral). Excluídas formas reumáticas (ICD-9: 3912, 3980; ICD-10: I012, I090) por corresponderem a etiologia distinta codificada separadamente.
  • Sexo: masculino (1) e feminino (2); excluídos registos com sexo indeterminado (3).
  • Período: 2000–2024.

Era ICD: ICD-9-CM até 2016 (com ~5,6% de episódios já em ICD-10 em 2016, identificados pelo campo icd_versao); ICD-10-CM/PCS a partir de 2017. A harmonização é feita por correspondência directa de prefixos em cada era, não por mapeamento CCS (que foi considerado mas não utilizado para esta análise específica).

Óbitos: morte intra-hospitalar definida por destino de alta dsp = 20.

Demora média: calculada excluindo episódios com dias_int = -1 (valor sentinela, ~72 000 registos sobretudo ambulatórios 2009–2011).

Reacções adversas a vacinas: pesquisa pelo código T50B95A em todas as posições diagnósticas (d1–d10), via tabela diagnoses (formato longo), cruzada com episódios para obter destino de alta e diagnóstico principal.

Nomes dos hospitais: reflectem a estrutura organizacional de 2025 (fusões ULS aplicadas retroactivamente pela ACSS).

Causalidade: este relatório descreve associações temporais e padrões epidemiológicos observados nos dados administrativos hospitalares; não estabelece nem infere relações causais entre vacinação e miocardite.

Reprodutibilidade: consultas SQL utilizadas (2)

Série completa 2000-2024: internamentos, óbitos e demora média por miocardite, por faixa etária e sexo

SELECT e.ano, SUM(CASE WHEN e.idade BETWEEN 0 AND 5 AND e.sexo=1 THEN 1 ELSE 0 END) AS m_0_5_n, SUM(CASE WHEN e.idade BETWEEN 0 AND 5 AND e.sexo=2 THEN 1 ELSE 0 END) AS f_0_5_n, SUM(CASE WHEN e.idade BETWEEN 6 AND 11 AND e.sexo=1 THEN 1 ELSE 0 END) AS m_6_11_n, SUM(CASE WHEN e.idade BETWEEN 6 AND 11 AND e.sexo=2 THEN 1 ELSE 0 END) AS f_6_11_n, SUM(CASE WHEN e.idade BETWEEN 12 AND 17 AND e.sexo=1 THEN 1 ELSE 0 END) AS m_12_17_n, SUM(CASE WHEN e.idade BETWEEN 12 AND 17 AND e.sexo=2 THEN 1 ELSE 0 END) AS f_12_17_n, SUM(CASE WHEN e.idade BETWEEN 18 AND 30 AND e.sexo=1 THEN 1 ELSE 0 END) AS m_18_30_n, SUM(CASE WHEN e.idade BETWEEN 18 AND 30 AND e.sexo=2 THEN 1 ELSE 0 END) AS f_18_30_n, SUM(CASE WHEN e.idade BETWEEN 31 AND 50 AND e.sexo=1 THEN 1 ELSE 0 END) AS m_31_50_n, SUM(CASE WHEN e.idade BETWEEN 31 AND 50 AND e.sexo=2 THEN 1 ELSE 0 END) AS f_31_50_n, SUM(CASE WHEN e.idade BETWEEN 51 AND 65 AND e.sexo=1 THEN 1 ELSE 0 END) AS m_51_65_n, SUM(CASE WHEN e.idade BETWEEN 51 AND 65 AND e.sexo=2 THEN 1 ELSE 0 END) AS f_51_65_n, SUM(CASE WHEN e.idade > 65 AND e.sexo=1 THEN 1 ELSE 0 END) AS m_65mais_n, SUM(CASE WHEN e.idade > 65 AND e.sexo=2 THEN 1 ELSE 0 END) AS f_65mais_n, SUM(CASE WHEN e.dsp=20 THEN 1 ELSE 0 END) AS total_ob, COUNT(*) AS total_n FROM episodes e WHERE e.tipo_port_apr31 = 'Int' AND e.ano BETWEEN 2000 AND 2024 AND e.sexo IN (1,2) AND ((e.icd_versao='9' AND (e.d1 LIKE '422%' OR e.d1='4290')) OR (e.icd_versao='10' AND (e.d1 LIKE 'I40%' OR e.d1='I41' OR e.d1='I514' OR e.d1='B3322'))) GROUP BY e.ano ORDER BY e.ano

Episódios com T50B95A como diagnóstico secundário e óbitos associados, 2021-2024

SELECT e.ano, COUNT(*) AS total_episodios, SUM(CASE WHEN e.dsp=20 THEN 1 ELSE 0 END) AS obitos FROM episodes e JOIN diagnoses diag ON diag.n_ficticio_utente=e.n_ficticio_utente AND diag.data_entrada=e.data_entrada AND diag.hospital=e.hospital AND diag.data_saida=e.data_saida WHERE diag.codigo='T50B95A' AND diag.icd_versao='10' AND e.ano >= 2021 GROUP BY e.ano ORDER BY e.ano

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