Episódios de internamento por enfarte agudo do miocárdio em Portugal (2000–2024)
Entre 2000 e 2024, houve um crescimento substancial nos internamentos por enfarte agudo do miocárdio, passando de 8.423 para 13.071 episódios em 2019 (+55%). Após a quebra observada em 2020 (COVID-19), mantém-se uma relativa estabilidade com valores entre 10.500 e 12.500 episódios anuais.
Evolução dos internamentos por enfarte agudo do miocárdio
| Ano | N.º de episódios |
|---|---|
| 2000 | 8.423 |
| 2001 | 9.482 |
| 2002 | 10.440 |
| 2003 | 11.195 |
| 2004 | 11.036 |
| 2005 | 10.595 |
| 2006 | 10.848 |
| 2007 | 11.547 |
| 2008 | 12.307 |
| 2009 | 12.424 |
| 2010 | 12.239 |
| 2011 | 12.093 |
| 2012 | 12.374 |
| 2013 | 12.631 |
| 2014 | 12.729 |
| 2015 | 12.926 |
| 2016 | 12.498 |
| 2017 | 12.852 |
| 2018 | 12.876 |
| 2019 | 13.071 |
| 2020 | 11.489 |
| 2021 | 12.482 |
| 2022 | 11.791 |
| 2023 | 11.529 |
| 2024 | 10.496 |
Principais tendências
Crescimento sustentado (2000–2019)
Observa-se um aumento progressivo nos episódios de internamento por enfarte agudo do miocárdio durante as primeiras duas décadas, com um acréscimo de aproximadamente 55% entre 2000 (8.423 episódios) e o pico de 2019 (13.071 episódios). Este padrão reflete tanto possíveis mudanças na incidência da doença como melhorias na identificação e codificação diagnóstica.
Impacto da pandemia COVID-19 (2020)
Em 2020, registou-se uma redução notável para 11.489 episódios, representando uma quebra de cerca de 12% relativamente a 2019. Este decréscimo é consistente com o padrão observado em internamentos hospitalares durante a fase crítica da pandemia.
Estabilização pós-pandémica (2021–2024)
Após 2020, o volume de internamentos mantém uma certa estabilidade, oscilando entre 10.496 e 12.482 episódios anuais, permanecendo ainda acima dos níveis pré-pandemia mas abaixo do pico de 2019.
Metodologia
Fonte de dados: Base de Dados de Morbilidade Hospitalar (BDMH/ACSS), 2000–2024.
População: Todos os episódios de internamento (tipo_port_apr31 = 'Int') no Serviço Nacional de Saúde português.
Critério de seleção: Diagnóstico principal de enfarte agudo do miocárdio, identificado por:
- ICD-9-CM (2000–2016): códigos 410x (enfarte agudo do miocárdio);
- ICD-10-CM (2017–2024): códigos I21x (enfarte agudo do miocárdio).
Exclusões: Episódios ambulatórios e de cirurgia ambulatória; episódios em unidades privadas. A análise centrou-se na codificação do diagnóstico principal (d1).
Nota sobre séries temporais: A transição de ICD-9 para ICD-10 em 2017 ocorreu de forma maioritária, com ~5,6% de episódios em ICD-10 já em 2016. A comparabilidade entre eras foi garantida pelo uso de famílias de códigos equivalentes (410x ≈ I21x).