30 de agosto de 2026

Doenças Preveníveis por Vacinação — Internamentos e Letalidade Hospitalar em Portugal (2000–2024)

por Pedro Almeida Vieira

Análise dos internamentos hospitalares com diagnóstico principal de onze doenças preveníveis por vacinação nos hospitais do SNS português entre 2000 e 2024, desagregada por ano e grupo etário, com cálculo da taxa de letalidade hospitalar. A doença pneumocócica domina em volume (51 633 episódios, 5 806 óbitos) e a doença meningocócica registou a maior redução relativa (–91%). Difteria, poliomielite e rubéola estão praticamente erradicadas; a tosse convulsa e o Haemophilus influenzae mostram sinais de ressurgimento em 2024.

Contexto

O Programa Nacional de Vacinação (PNV) português é um dos mais abrangentes da Europa. Este estudo analisa o impacto das vacinas incluídas no PNV através da evolução dos internamentos hospitalares por doenças-alvo entre 2000 e 2024 nos hospitais do SNS. São analisadas onze doenças: Hepatite B, doença por Haemophilus influenzae (Hib), difteria, tétano, tosse convulsa, poliomielite, doença pneumocócica invasiva, doença meningocócica, sarampo, parotidite epidémica e rubéola.

Para cada doença e cada ano é apresentado o número total de internamentos, a desagregação por quatro grupos etários (0–4 anos, 5–10 anos, 11–64 anos, 65+ anos) e a taxa de letalidade hospitalar (óbito intra-hospitalar / episódios internados).

Nota sobre doença meningocócica: O sistema ICD (versões 9 e 10) não distingue o serogrupo nas categorias de rotina. Os códigos 036.x (ICD-9) e A39.x (ICD-10) abrangem genericamente todas as infecções meningocócicas sem especificação de serogrupo B, A, C, W ou Y. Não é possível separar serogrupos a partir destes dados — todos os valores apresentados correspondem ao total de infecções meningocócicas.

Nota sobre H. influenzae: Os códigos ICD utilizados (0415/03841 em ICD-9; A413/A492 em ICD-10) identificam infecções por H. influenzae como diagnóstico principal, mas não distinguem o serótipo b dos restantes.

61 601
Total de internamentos 2000–2024 (11 doenças)
Apenas internamentos (tipo_port_apr31 = 'Int'); diagnóstico principal (d1)
6 183
Total de óbitos hospitalares 2000–2024
Letalidade global agregada: 10,0% — dominada pela doença pneumocócica (94% dos óbitos)
–91%
Redução da doença meningocócica (2000→2024)
De 264 internamentos em 2000 para 25 em 2024; reflexo da vacinação anti-C (2006) e anti-B (2020)

1. Visão Geral — Internamentos por Doença (2000–2024)

Totais globais por doença — 2000 a 2024
DoençaTotal internamentosTotal óbitosLetalidade global (%)Tendência
D. Pneumocócica51 633580611,2↘ crianças / ↗ idosos
Hepatite B38691082,8↘↘ –89%
Tosse convulsa248290,4Cíclica ↗ 2024
D. Meningocócica21371245,8↘↘ –91%
Parotidite epidémica815496Inversão etária ↗ idosos
Doença por Hib3796517,2↗ idosos desde 2014
Tétano1872211,8↘↘ ≈0 desde 2022
Sarampo7400Surtos pontuais
Rubéola900Eliminada
Poliomielite900Erradicada
Difteria700Erradicada

Internamentos com diagnóstico principal (d1) nas doenças listadas; hospitais SNS; 2000–2024.

Evolução anual dos internamentos — doenças de maior volume

Excluída D. Pneumocócica do gráfico seguinte por escala. Hospitais SNS, internamento, diagnóstico principal.

2. Doença Pneumocócica Invasiva

A doença pneumocócica (pneumonia, sépsis e meningite por Streptococcus pneumoniae como diagnóstico principal) é, de longe, a que origina maior número de internamentos e óbitos entre as doenças analisadas: 51 633 episódios e 5 806 óbitos em 25 anos, o que corresponde a uma letalidade hospitalar global de 11,2%.

O padrão epidemiológico reflecte claramente o impacto da vacinação conjugada pediátrica (PCV10 introduzida no PNV em 2015, com PCV13 a partir de 2020): os internamentos em crianças dos 0–4 anos caíram de 427 em 2001 para 34 em 2017, redução de 92%. Nos idosos (≥65 anos), o volume manteve-se persistentemente elevado — nunca abaixo de 608 internamentos/ano — e a letalidade oscila entre 13,5% e 23,0%, com o valor mais elevado registado em 2021 no contexto da pandemia de COVID-19.

Em 2024 o total voltou a atingir 2 285 internamentos, próximo dos valores de 2000 (2 217), mas com perfil etário radicalmente diferente: dominado por adultos e idosos, com crianças em mínimo histórico.

D. Pneumocócica — Internamentos por grupo etário (2000–2024)

Grupo 5–10 anos omitido por legibilidade (valores entre 16 e 215/ano). Hospitais SNS, diagnóstico principal.

D. Pneumocócica — Internamentos e Letalidade hospitalar por grupo etário e ano
Ano0–4 (n)0–4 (%)5–10 (n)11–64 (n)11–64 (%)65+ (n)65+ (%)TotalÓbitos
20004270,91776504,596317,42217201
20014900,416859341110192361238
200248311696584,3106215,62372199
200339101856614,81243172480244
200432601115946,9123115,52262232
200540201556883,9130620,12551291
20064330,72156155,9109722,12360281
20074250,51887425,5132617,82681279
200832401397285,1143618,42627303
200937601499183,91617173060312
201030211056525,2140018,92459302
20111940826826,3132917,82287280
20121410684635,8117718,41849244
2013830255005,293716,81545183
2014841,239453481514,51391137
2015630264904,596915,21548169
2016641,6165615,9101413,51655171
2017340124774,4110214,31625179
2018654,6186316,2137113,62085230
201934075855,5128414,41910217
202017043896,998919,31399218
202126052974,760823936154
2022472,1185567977161598196
2023616,6236067,8140014,92090259
2024571,8276768,1152515,12285287

% = taxa de letalidade hospitalar no grupo etário. 5–10 anos: letalidade tendencialmente 0% (omitida por espaço).

3. Doença Meningocócica

A infecção meningocócica registou a maior redução percentual de internamentos: de 264 em 2000 para 25 em 2024 (−91%). Esta queda resulta da introdução da vacina conjugada anti-C no PNV em 2006, da vacina tetravalente ACWY e da vacina anti-B (Bexsero®), incluída no PNV em 2020.

Os menores de 5 anos eram o grupo mais afectado em 2000 (173 internamentos, 65% do total); em 2024 apenas 7 internamentos neste grupo. A letalidade hospitalar global foi de 5,8% (124 óbitos em 25 anos), com padrão crescente nos idosos — que, com denominadores pequenos, apresentam percentagens elevadas e voláteis (20–50%).

Limitação crítica: O ICD não especifica serogrupo. Não é possível distinguir, nos dados hospitalares de rotina, a doença meningocócica do serogrupo B da causada pelos serogrupos A, C, W e Y.

D. Meningocócica (todos os serogrupos) — Internamentos, óbitos e letalidade por grupo etário e ano
Ano0–4 (n)0–4 (%)5–10 (n)5–10 (%)11–64 (n)11–64 (%)65+ (n)65+ (%)TotalÓbitos
20001737,5417,3454,452026419
20011684,2240339,142522911
20021706,5342,94816,752025721
20031075,6214,8251242515711
2004853,5160195,3501254
2005722,81711,8323,1401255
2006613,31102611,5201005
20075121202010666,7897
2008432,380825333,3624
2009355,711015010622
2010370147,1150616,7722
2011515,9911,1185,6520836
2012352,960195,3333,3633
201325080137,7616,7522
201429050128,3425502
2015244,250277,4333,3594
2016195,34011060401
201718060166,3825483
20182801017020480
2019330001010650494
202010050540520253
20216000300090
20223010911,1633,3193
20236010120616,7251
20247010120520251

% = letalidade hospitalar no grupo. Percentagens em grupos com n < 10 devem ser lidas com cautela.

4. Hepatite B

A vacinação universal contra a hepatite B foi introduzida em Portugal em 1994, com reforço do PNV ao longo dos anos 2000. Os internamentos caíram de 402 em 2000 para 44 em 2024 (–89%). Nos menores de 10 anos, o número de internamentos é virtualmente nulo desde 2005 — zero óbitos em todo o período 2000–2024 neste grupo.

A faixa etária 11–64 anos concentrou sempre mais de 85% dos internamentos, tratando-se maioritariamente de indivíduos da geração pré-vacinal ou de populações com vacinação incompleta. A letalidade hospitalar neste grupo manteve-se entre 0,5% e 7,5%. Nos idosos (≥65 anos) a letalidade é mais alta e volátil (3–26%), por denominadores pequenos.

Hepatite B — Internamentos, óbitos e letalidade por grupo etário e ano
Ano0–10 (n)11–64 (n)11–64 (%)65+ (n)65+ (%)TotalÓbitos
200063680,5283,64023
2001122791,81414,33057
200252792,2375,43218
20031019823112,92398
200451771,71216,71945
200511701,81601873
200621481,42101712
200711591,9166,31764
200801623,13116,119310
200921701,8219,51935
201001782,21001884
201141524,62326,117913
201231372,21910,51595
201321273,1214,81505
201401091,81717,61265
20151982224,51213
20160803,8119,1914
20170651,5150801
20180537,52615,4798
2019049090580
2020028090370
20210370110480
202204001216,7522
20231621,6137,7762
202403401010441

0–10 anos = soma de 0–4 e 5–10 (sem óbitos em todo o período). % = letalidade hospitalar.

5. Tosse Convulsa

A tosse convulsa (coqueluche) apresenta um padrão cíclico com picos epidémicos a cada 3–5 anos, característico da biologia da Bordetella pertussis. O maior pico do período foi em 2016 (351 internamentos), seguido de 2012 (242). Em 2024 regista-se uma reemergência clara: 110 internamentos, o valor mais alto desde 2016, com um elemento novo — pela primeira vez surgem internamentos e óbitos relevantes nos adultos (12 casos) e idosos (12 casos, 1 óbito), reflexo do surto europeu de 2024 e da waning immunity (declínio da imunidade vacinal ao longo do tempo).

A doença afecta quase exclusivamente lactentes e crianças com menos de 5 anos — grupo que concentrou sempre >90% dos internamentos. A letalidade é geralmente baixa, mas não nula neste grupo: 1,3% em 2012 (3 óbitos em 239 casos) e 2,5% em 2017 (2 óbitos em 80 casos), correspondendo a neonatos/lactentes com doença grave.

Tosse Convulsa — Internamentos em < 5 anos vs. restantes grupos (2000–2024)

2020–2021: supressão pela pandemia COVID-19 (medidas não-farmacológicas). 2024: reemergência com extensão a adultos/idosos.

6. Tétano

O tétano é uma doença quase exclusiva de idosos não vacinados — geração que escapou à vacinação sistemática introduzida em Portugal no final dos anos 1960. Os 187 internamentos registados em 25 anos concentraram-se em ≥65 anos (>80% dos casos). A letalidade hospitalar neste grupo foi frequentemente elevada: 27–60% nos anos com mais casos (2007–2012).

A partir de 2015, os casos tornaram-se raríssimos (≤5/ano), e desde 2022 não se registaram internamentos com este diagnóstico principal. O tétano encontra-se em vias de eliminação em Portugal.

Tétano — Internamentos, óbitos e letalidade (2000–2021)
Ano11–64 (n)65+ (n)65+ (%)TotalÓbitos
2000619—254
20011316—291
2002215—171
2003819—274
2004210—121
2005210—121
2006190100
200721127,3143
200826080
2009056053
20100728,672
20110333,331
2012042541
201302020
201402020
201501010
201610010
201710010
201814050
201901010
202101010

2020, 2022–2024: zero internamentos com este diagnóstico principal. % = letalidade hospitalar nos 65+.

7. Doença por Haemophilus influenzae (Hib)

A vacina conjugada anti-Hib entrou no PNV português em 1994. Os resultados são inequívocos: zero óbitos em crianças (0–10 anos) em todo o período 2000–2024, e volume de internamentos pediátrico irrisório (máximo de 7 em 2019).

O fenómeno mais preocupante é o crescimento consistente nos idosos a partir de 2014: 15 internamentos em 2014, 23 em 2015, subindo para 36 em 2023 e 51 em 2024 — o valor mais alto do período. A letalidade neste grupo é persistentemente alta: 20–50%, com 11 óbitos em 36 internamentos de idosos em 2024 (30,6%).

Note-se que os códigos ICD utilizados não distinguem o serótipo b dos restantes serotipos de H. influenzae, pelo que estes números podem incluir infecções por serotipos não cobertosPela vacina.

Doença por H. influenzae — Internamentos, óbitos e letalidade por grupo etário e ano
Ano0–4 (n)11–64 (n)11–64 (%)65+ (n)65+ (%)TotalÓbitos
20011201040
20023301070
200321025051
20042103060
2005310333,381
20062366,7650115
2007240110071
2008220650103
2009130333,371
201001025031
201110025031
2012310616,7101
2013170425121
2014300156,7181
20151802321,7325
20162401127,3173
2017270450132
20184128,31428,6305
201974251323,1254
20204333,31520224
202136030120
20225714,31435,7266
20233119,12626,9408
202411403630,65111

% = letalidade hospitalar no grupo. Percentagens com n < 5 muito voláteis. 2000: zero internamentos registados.

8. Parotidite Epidémica

A parotidite epidémica (papeira) apresenta um fenómeno epidemiológico notável ao longo do período: inversão completa do perfil etário. Em 2000, o grupo mais afectado era o de 5–10 anos (48 internamentos, 51% do total). A partir de 2017, o grupo dominante passa a ser o dos ≥65 anos — geração não vacinada na infância que adoece com comorbilidades múltiplas. Em 2017–2019 registam-se 34–40 internamentos/ano neste grupo com letalidade de 7,5–18,5%.

A letalidade hospitalar nos idosos foi sistematicamente elevada ao longo de todo o período, com valores entre 7,7% e 28,6%, e nunca foi nula. Nos menores de 64 anos: zero óbitos em todo o período de 25 anos.

Parotidite epidémica — Internamentos e letalidade por grupo etário e ano
Ano0–4 (n)5–10 (n)11–64 (n)65+ (n)65+ (%)TotalÓbitos
200021482240950
2001355714,3201
200251910160
2003914911,1231
200454290200
2005343616,7161
200615650170
2007336728,6192
200851260140
200950680190
201045101612,5352
2011539137,7301
2012113101010341
20131371414,3252
20143141520233
201532122010372
2016419229,1362
20177453414,7505
2018817407,5563
20197672718,5475
20202131717,6233
20214362512383
20226082711,1413
202344111822,2374
202453132321,7445

% = letalidade hospitalar nos 65+. Nos grupos 0–64 anos: zero óbitos em todo o período 2000–2024.

9. Doenças Praticamente Erradicadas

Difteria

Apenas 7 internamentos em 25 anos (2002, 2011, 2014, 2018, 2023), todos com desfecho de alta. Zero óbitos. Doença erradicada em Portugal.

Poliomielite

Apenas 9 internamentos em 25 anos (casos esporádicos em 2001, 2003, 2006, 2014, 2015, 2016, 2017, 2018), todos com desfecho de alta. Zero óbitos. Portugal está certificado livre de poliomielite pela OMS.

Rubéola

Apenas 9 internamentos em 25 anos (casos isolados em 2002, 2003, 2008, 2010, 2014, 2016, 2017, 2018, 2022), todos com desfecho de alta. Zero óbitos. Doença eliminada em Portugal.

Sarampo

Zero óbitos em todo o período. Registam-se surtos pontuais em anos de reemergência europeia: 2005 (6 casos), 2012 (5), 2017 (10) e 2018 (26 — pico máximo do período, coincidindo com o surto europeu). Em 2024 registam-se 5 novos internamentos. A ausência de mortalidade hospitalar reflecte a qualidade do cuidado e o perfil relativamente benigno dos casos em Portugal, maioritariamente em adultos jovens.

Letalidade hospitalar global por doença — 2000 a 2024 (%)

Letalidade = óbitos intra-hospitalares / total de internamentos × 100. Período completo 2000–2024.

10. Análise Comparativa da Letalidade por Grupo Etário

Um padrão transversal a todas as doenças é a sobre-representação dos idosos na mortalidade. Nos grupos 0–10 anos, a letalidade é nula ou muito baixa em quase todas as doenças ao longo de todo o período — reflexo do sucesso da vacinação pediátrica e da maior resiliência fisiológica nesta faixa.

Os grupos de maior risco de morte são:

DoençaGrupo de riscoLetalidade típica
D. Pneumocócica≥65 anos13–23%
Doença por Hib≥65 anos20–50%+
Tétano≥65 anos25–60%
Parotidite epidémica≥65 anos7–29%
D. MeningocócicaTodos (≥65 pior)5–50% nos idosos
Hepatite B11–64 anos0,5–7,5%; 65+ até 26%
Tosse convulsa0–4 anos (lactentes)0–2,5%

O padrão de letalidade nos idosos para parotidite e Hib — doenças com vacinas que protegem primariamente crianças — ilustra o efeito da imunidade de grupo incompleta: as coortes mais velhas, não vacinadas, ficam desprotegidas e, quando adoecem, fazem-no em contexto de múltiplas comorbilidades.

11. Sinais de Alerta em 2024

A análise do ano mais recente (2024) identifica três sinais que merecem atenção:

1. Tosse convulsa em ressurgimento — 110 internamentos em 2024, o valor mais alto desde 2016. Pela primeira vez, surgem internamentos relevantes em adultos (12 casos) e idosos (12 casos, 1 óbito, 8,3% de letalidade), confirmando a extensão europeia do surto de 2024 e o enfraquecimento da imunidade vacinal ao longo do tempo (waning immunity).

2. Doença por H. influenzae em ascensão nos idosos — 51 internamentos em 2024, máximo histórico, com 11 óbitos em 36 casos de idosos (30,6% de letalidade). O crescimento consistente desde 2014 sugere acumulação de susceptíveis não vacinados na coorte >65 anos.

3. D. pneumocócica persiste elevada — 2 285 internamentos em 2024, próximo dos níveis de 2000, com 287 óbitos. A vacinação pediátrica (PCV) protege eficazmente as crianças, mas os adultos e idosos continuam com carga elevada, em parte por serotipos não cobertos pelas vacinas conjugadas actuais.

Estes três fenómenos apontam para lacunas de imunidade em coortes adultas e idosas — geração que cresceu antes da vacinação universal ou cuja protecção vacinal diminuiu com o tempo.

Metodologia

Fonte de dados: Base de Dados de Morbilidade Hospitalar (BDMH), ACSS — episódios de internamento dos hospitais do SNS português, 2000–2024.

Critérios de inclusão: Apenas episódios de internamento (tipo_port_apr31 = 'Int'); diagnóstico principal (campo d1) correspondente às doenças listadas; idades ≥ 0 anos.

Codificação ICD: ICD-9-CM até 2016 (com transição parcial em 2016); ICD-10-CM/PCS a partir de 2017. Ambas as versões foram mapeadas para cada doença com os seguintes prefixos/códigos:

  • Hepatite B: ICD-9 07020–07033; ICD-10 B16x, B180, B181
  • H. influenzae: ICD-9 0415, 03841; ICD-10 A413, A492
  • Difteria: ICD-9 032x; ICD-10 A36x
  • Tétano: ICD-9 037, 7713; ICD-10 A33, A34, A35
  • Tosse convulsa: ICD-9 033x; ICD-10 A37x
  • Poliomielite: ICD-9 045x; ICD-10 A80x
  • D. Pneumocócica: ICD-9 481, 0382, 3201; ICD-10 J13, A403, G001
  • D. Meningocócica: ICD-9 036x; ICD-10 A39x
  • Sarampo: ICD-9 055x; ICD-10 B05x
  • Parotidite epidémica: ICD-9 072x; ICD-10 B26x
  • Rubéola: ICD-9 056x; ICD-10 B06x

Letalidade hospitalar: Proporção de episódios com destino de alta = óbito (dsp = 20) sobre o total de internamentos para cada grupo. Percentagens com n < 10 devem ser lidas com cautela (alta variabilidade).

Grupos etários: 0–4 anos, 5–10 anos, 11–64 anos, ≥65 anos.

Limitações:

  • O ICD não distingue o serogrupo meningocócico (B vs. A/C/W/Y) nem o serótipo de H. influenzae (tipo b vs. restantes) — a separação solicitada é metodologicamente impossível com estes dados.
  • A doença pneumocócica inclui apenas diagnósticos principais de pneumonia, sépsis e meningite pneumocócica explicitamente codificados; subestima a carga total da doença invasiva.
  • Os dados de 2020–2021 reflectem o impacto da pandemia COVID-19 (redução de circulação de agentes infecciosos e alterações na procura de cuidados).
  • Nomes hospitalares reflectem a estrutura organizativa de 2025 (fusões ULS aplicadas retroactivamente).
Reprodutibilidade: consultas SQL utilizadas (2)

Totais globais por doença 2000-2024 (internamentos, óbitos, letalidade)

WITH base AS (SELECT ano, idade, d1, icd_versao, dsp, CASE WHEN icd_versao = '9' AND d1 IN ('07020','07021','07022','07023','07030','07031','07032','07033','0703') THEN 'Hepatite B' WHEN icd_versao = '10' AND d1 LIKE 'B16%' THEN 'Hepatite B' WHEN icd_versao = '10' AND d1 IN ('B180','B181') THEN 'Hepatite B' WHEN icd_versao = '9' AND d1 IN ('0415','03841') THEN 'Doença por Hib' WHEN icd_versao = '10' AND d1 IN ('A413','A492') THEN 'Doença por Hib' WHEN icd_versao = '9' AND d1 LIKE '032%' THEN 'Difteria' WHEN icd_versao = '10' AND d1 LIKE 'A36%' THEN 'Difteria' WHEN icd_versao = '9' AND d1 IN ('037','7713') THEN 'Tétano' WHEN icd_versao = '10' AND d1 IN ('A33','A34','A35') THEN 'Tétano' WHEN icd_versao = '9' AND d1 LIKE '033%' THEN 'Tosse convulsa' WHEN icd_versao = '10' AND d1 LIKE 'A37%' THEN 'Tosse convulsa' WHEN icd_versao = '9' AND d1 LIKE '045%' THEN 'Poliomielite' WHEN icd_versao = '10' AND d1 LIKE 'A80%' THEN 'Poliomielite' WHEN icd_versao = '9' AND d1 IN ('481','0382','3201') THEN 'D. Pneumocócica' WHEN icd_versao = '10' AND d1 IN ('J13','A403','G001') THEN 'D. Pneumocócica' WHEN icd_versao = '9' AND d1 LIKE '036%' THEN 'D. Meningocócica' WHEN icd_versao = '10' AND d1 LIKE 'A39%' THEN 'D. Meningocócica' WHEN icd_versao = '9' AND d1 LIKE '055%' THEN 'Sarampo' WHEN icd_versao = '10' AND d1 LIKE 'B05%' THEN 'Sarampo' WHEN icd_versao = '9' AND d1 LIKE '072%' THEN 'Parotidite epidémica' WHEN icd_versao = '10' AND d1 LIKE 'B26%' THEN 'Parotidite epidémica' WHEN icd_versao = '9' AND d1 LIKE '056%' THEN 'Rubéola' WHEN icd_versao = '10' AND d1 LIKE 'B06%' THEN 'Rubéola' ELSE NULL END AS doenca FROM episodes WHERE tipo_port_apr31 = 'Int' AND ano BETWEEN 2000 AND 2024 AND idade >= 0) SELECT doenca, COUNT(*) AS total_internamentos, SUM(CASE WHEN dsp = 20 THEN 1 ELSE 0 END) AS total_obitos, ROUND(100.0 * SUM(CASE WHEN dsp = 20 THEN 1 ELSE 0 END) / COUNT(*), 1) AS letalidade_global_pct FROM base WHERE doenca IS NOT NULL GROUP BY doenca ORDER BY total_internamentos DESC

Internamentos e óbitos por doença, ano e grupo etário (pivot) 2000-2024

WITH base AS (SELECT ano, idade, d1, icd_versao, dsp, CASE WHEN icd_versao = '9' AND d1 IN ('07020','07021','07022','07023','07030','07031','07032','07033','0703') THEN 'Hepatite B' WHEN icd_versao = '10' AND d1 LIKE 'B16%' THEN 'Hepatite B' WHEN icd_versao = '10' AND d1 IN ('B180','B181') THEN 'Hepatite B' WHEN icd_versao = '9' AND d1 IN ('0415','03841') THEN 'Doença por Hib' WHEN icd_versao = '10' AND d1 IN ('A413','A492') THEN 'Doença por Hib' WHEN icd_versao = '9' AND d1 LIKE '032%' THEN 'Difteria' WHEN icd_versao = '10' AND d1 LIKE 'A36%' THEN 'Difteria' WHEN icd_versao = '9' AND d1 IN ('037','7713') THEN 'Tétano' WHEN icd_versao = '10' AND d1 IN ('A33','A34','A35') THEN 'Tétano' WHEN icd_versao = '9' AND d1 LIKE '033%' THEN 'Tosse convulsa' WHEN icd_versao = '10' AND d1 LIKE 'A37%' THEN 'Tosse convulsa' WHEN icd_versao = '9' AND d1 LIKE '045%' THEN 'Poliomielite' WHEN icd_versao = '10' AND d1 LIKE 'A80%' THEN 'Poliomielite' WHEN icd_versao = '9' AND d1 IN ('481','0382','3201') THEN 'D. Pneumocócica' WHEN icd_versao = '10' AND d1 IN ('J13','A403','G001') THEN 'D. Pneumocócica' WHEN icd_versao = '9' AND d1 LIKE '036%' THEN 'D. Meningocócica' WHEN icd_versao = '10' AND d1 LIKE 'A39%' THEN 'D. Meningocócica' WHEN icd_versao = '9' AND d1 LIKE '055%' THEN 'Sarampo' WHEN icd_versao = '10' AND d1 LIKE 'B05%' THEN 'Sarampo' WHEN icd_versao = '9' AND d1 LIKE '072%' THEN 'Parotidite epidémica' WHEN icd_versao = '10' AND d1 LIKE 'B26%' THEN 'Parotidite epidémica' WHEN icd_versao = '9' AND d1 LIKE '056%' THEN 'Rubéola' WHEN icd_versao = '10' AND d1 LIKE 'B06%' THEN 'Rubéola' ELSE NULL END AS doenca, CASE WHEN idade BETWEEN 0 AND 4 THEN '0-4 anos' WHEN idade BETWEEN 5 AND 10 THEN '5-10 anos' WHEN idade BETWEEN 11 AND 64 THEN '11-64 anos' WHEN idade >= 65 THEN '65+ anos' ELSE 'Desconhecida' END AS faixa_etaria FROM episodes WHERE tipo_port_apr31 = 'Int' AND ano BETWEEN 2000 AND 2024) SELECT doenca, ano, SUM(CASE WHEN faixa_etaria='0-4 anos' THEN 1 ELSE 0 END) AS n_0_4, SUM(CASE WHEN faixa_etaria='5-10 anos' THEN 1 ELSE 0 END) AS n_5_10, SUM(CASE WHEN faixa_etaria='11-64 anos' THEN 1 ELSE 0 END) AS n_11_64, SUM(CASE WHEN faixa_etaria='65+ anos' THEN 1 ELSE 0 END) AS n_65mais, COUNT(*) AS total, SUM(CASE WHEN dsp=20 THEN 1 ELSE 0 END) AS obitos FROM base WHERE doenca IS NOT NULL AND faixa_etaria != 'Desconhecida' GROUP BY doenca, ano ORDER BY doenca, ano

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