5 de junho de 2026

Cardiomiopatia Amiloidótica em Portugal — Análise Epidemiológica, Clínica, Hospitalar e Económica (2000–2024)

Entre 2000 e 2024, registaram-se 22.944 episódios de internamento hospitalar com diagnóstico de amiloidose nos hospitais do SNS português, com uma tendência de crescimento acentuado e sustentado — a taxa bruta por 100.000 habitantes triplicou de 5,0 (2000) para 15,6 (2024), e a taxa nos maiores de 65 anos passou de 5,1 para 46,7 por 100.000. A mortalidade hospitalar global foi de 9,0%, afectando de forma desproporcionada os grupos mais idosos e os doentes com maior carga de comorbilidades. O distrito do Porto, seguido de Braga e Coimbra, concentra os maiores volumes absolutos, reflectindo o papel histórico do Norte como zona endémica da amiloidose hereditária por transtirretina (hATTR).

Contexto e Enquadramento

A amiloidose cardíaca — ou cardiomiopatia amiloidótica — é uma doença de depósito sistémico de proteínas fibrilares insolúveis no miocárdio, resultando em cardiomiopatia restritiva progressiva. Em Portugal, a doença assume particular relevância por duas razões: a existência de um cluster endémico de amiloidose hereditária por transtirretina (hATTR-V30M, anteriormente designada Polineuropatia Amiloidótica Familiar ou PAF), com epicentro histórico nos distritos do Porto e Braga; e o crescente reconhecimento global da amiloidose por transtirretina de tipo selvagem (ATTRwt), que afecta predominantemente idosos e é hoje considerada subdiagnosticada à escala mundial.

Este relatório analisa todos os episódios de internamento hospitalar com diagnóstico de amiloidose registados na Base de Dados de Morbilidade Hospitalar (BDMH/ACSS) entre 2000 e 2024, cobrindo o universo de hospitais do SNS (N = 22.944 episódios de internamento). A análise inclui epidemiologia, mortalidade, distribuição geográfica, comorbilidades, procedimentos, custos e padrões temporais.

22.944
Total de episódios de internamento (2000–2024)
Internamentos SNS com diagnóstico de amiloidose em qualquer posição (ICD-9: 2773x; ICD-10: E85x)
9,0%
Mortalidade hospitalar global
2.068 óbitos em 22.944 episódios; taxa mais elevada nos grupos ≥80 anos (18,9%)
+212%
Crescimento da taxa por 100k hab. (2000→2024)
De 5,01 por 100.000 hab. em 2000 para 15,61 em 2024; nos ≥65 anos passou de 5,1 para 46,7 por 100.000

1. Definição da População de Estudo e Códigos ICD Utilizados

Foram incluídos todos os episódios de internamento hospitalar (tipo_port_apr31 = 'Int') que apresentassem, em qualquer das 10 posições de diagnóstico (d1–d10), pelo menos um dos seguintes códigos:

ICD-9-CM (episódios até 2016)

CódigoDescrição
2773Amiloidose, não especificada
27730Amiloidose, não especificada (subcódigo)
27731Neuropatia amiloidótica hereditária
27739Amiloidose não classificável em outra parte

ICD-10-CM (episódios desde 2016/2017)

CódigoDescrição
E850Amiloidose heredofamiliar não-neuropática
E851Amiloidose heredofamiliar neuropática (hATTR)
E852Amiloidose heredofamiliar, sem outra especificação
E853Amiloidose sistémica secundária
E854Amiloidose limitada a órgãos
E858Outra amiloidose
E8581Amiloidose AL (cadeia leve)
E8582ATTRwt — amiloidose por transtirretina de tipo selvagem
E8589Outras amiloidoses
E859Amiloidose, sem outra especificação

Nota ICD: A cardiomiopatia amiloidótica não possui, em nenhuma das versões ICD usadas na BDMH, um código específico de "cardiomiopatia amiloidótica". O código I43 (cardiomiopatia em doenças classificadas noutras partes) e I425 (cardiomiopatia restritiva) são inespecíficos e apenas capturam uma fracção muito pequena dos casos. A estratégia de extracção adoptada — todos os episódios com código de amiloidose em qualquer posição — é a abordagem padrão para esta condição e permite identificar tanto os internamentos motivados directamente pela doença (diagnóstico principal) como aqueles em que a amiloidose é comorbilidade registada.

2. Evolução Temporal (2000–2024)

A série temporal revela um crescimento robusto e sustentado do número de internamentos por amiloidose em Portugal, com três fases distintas:

  • 2000–2009 (fase inicial): Volume relativamente estável entre 518 e 835 episódios/ano, com crescimento moderado (taxa bruta 5,0–7,9/100.000 hab.).
  • 2010–2016 (fase de consolidação): Estabilização com crescimento progressivo (729–898 episódios/ano; taxa 6,9–8,7/100.000). Esta fase coincide com o arranque do programa nacional de tratamento da PAF e com a crescente disponibilidade de terapêutica específica (tafamidis, patisiran).
  • 2017–2024 (fase de aceleração): Crescimento marcado a partir de 2017, com mais do dobro dos episódios face aos anos anteriores. Em 2021 regista-se um pico de 1.569 episódios (+43% face a 2020), parcialmente atribuível ao aumento do diagnóstico de ATTRwt e à maior codificação hospitalar dos subtipos específicos. Em 2024, o volume é de 1.678 episódios, representando uma taxa de 15,6/100.000 hab.
Episódios de internamento por amiloidose por ano (2000–2024)

Barras azuis: total de episódios. Linha vermelha: episódios com amiloidose como diagnóstico principal. Fonte: BDMH/ACSS, internamentos SNS 2000–2024.

Taxa bruta de internamento por amiloidose por 100.000 habitantes (2000–2024)

Linha azul: taxa total (toda a população). Linha laranja tracejada: taxa nos ≥65 anos. Denominadores: INE/dim_populacao. Taxas brutas (não ajustadas por idade).

2.1 Série Anual Completa (2000–2024)

A tabela seguinte apresenta a série anual completa com todos os indicadores fundamentais, incluindo taxas brutas por 100.000 habitantes.

Série temporal anual — Episódios de internamento por amiloidose (2000–2024)
AnoEpisódiosDiag. PrincipalDoentes únicosÓbitosTx. Mort. (%)Média dias int.Taxa/100k hab.Taxa ≥65 anos/100k
200051814645377,111,15,015,09
2001573148137437,510,75,516,21
2002592167188477,9115,675,66
2003561134194529,39,85,364,9
2004638157271538,311,26,087,1
2005630125317548,611,95,996,58
2006720154398699,611,26,848,5
2007709138393466,511,56,727,86
2008766167471668,610,37,257,59
2009835160509445,39,17,96,63
2010729134467456,29,76,97,08
20117471344945279,47,0710,03
2012808132532617,510,47,6913,18
2013809123542718,810,17,7512,17
2014839145553779,210,18,0714,21
201583711759967810,58,0715,1
2016898173596758,410,58,6815,59
20171078163758928,511,710,4321,22
2018109421776511610,610,910,5921,91
2019115120280912010,411,811,0925,06
2020109617475313412,211,910,5426,24
202115692089241449,28,815,0638,88
2022153821397016710,910,114,6242,65
20231531241102716710,910,414,3941,22
20241678326106416910,11015,6146,65

Doentes únicos: contagem de n_ficticio_utente distinto por ano (linkage <1% indeterminado após 2017; antes de 2006, até 26% de episódios não identificados). Taxas brutas (denominadores INE).

3. Distribuição por Subtipos de Amiloidose

A transição para ICD-10 (a partir de 2017) permitiu uma codificação mais granular dos subtipos de amiloidose. A análise dos subtipos revela:

  • hATTR (E851 — Amiloidose heredofamiliar neuropática): 1.469 episódios em ICD-10, com idade média de 51 anos e mortalidade hospitalar de 3,7% — o perfil típico da PAF portuguesa, com diagnóstico numa fase relativamente jovem e seguimento programado em centros de referência.
  • E854 (Amiloidose limitada a órgãos): 1.715 episódios, com idade média de 75,9 anos e mortalidade de 13,4%, sugerindo que muitos destes correspondem a ATTRwt cardíaca.
  • E8581 (Amiloidose AL — cadeia leve): 1.092 episódios em ICD-10, com mortalidade hospitalar de 4,3%.
  • E8582 (ATTRwt — wild-type): apenas 274 episódios totais (ICD-9 + ICD-10), reflectindo o subdiagnóstico histórico desta entidade; a sua codificação aumentou de 0 em 2017 para 47 em 2024.

A grande proporção de episódios codificados de forma inespecífica (ICD-9: 2773 NE) limita a análise por subtipo para o período 2000–2016.

Distribuição por subtipo de amiloidose — ICD-10 (2017–2024)
AnohATTR (E851)ATTRwt (E8582)AL (E8581)Órgão-limitada (E854)NE (E859)Total (ICD-10)
2017383<5331781351078
2018323<5481751791094
20193088652381291151
20202451467245801096
2021253202243522141569
2022207232393961101538
2023208412184131451531
2024153472825021591678

Em 2017–2018 os episódios de ICD-10 incluem também os que transitaram para ICD-10 a partir de 2016. A coluna 'Total (ICD-10)' inclui todos os subtipos E85x.

Evolução dos subtipos de amiloidose em ICD-10 (2017–2024)

Fonte: BDMH/ACSS. Apenas episódios com codificação ICD-10. A categoria 'NE/Outros' inclui E852, E853, E858, E8589 e E859.

4. Distribuição Etária

A amiloidose apresenta um perfil etário bimodal em Portugal, reflectindo a coexistência de dois fenótipos predominantes:

  • A hATTR (PAF), que afecta tipicamente doentes mais jovens (30–60 anos), dominando nos distritos do Norte;
  • A ATTRwt e AL, que afectam predominantemente idosos (≥70 anos), com impacto crescente à medida que melhora o diagnóstico.

A mortalidade hospitalar aumenta progressivamente com a idade, de 2,3% no grupo <40 anos para 18,9% nos ≥80 anos, reflectindo tanto a maior gravidade da doença nestes grupos como a maior carga de comorbilidades.

Distribuição por grupo etário — Episódios de internamento por amiloidose (2000–2024)
Grupo EtárioEpisódios% do TotalÓbitosTx. Mortalidade (%)Média dias int.
0–39 anos431118,81012,38,8
40–49 anos402217,52045,18,3
50–59 anos337114,72748,110,5
60–69 anos363015,83509,611,5
70–79 anos427718,650811,911,3
80+ anos333314,563118,913,2

O elevado peso dos grupos <50 anos reflecte a hATTR (PAF) com diagnóstico em idade jovem. O crescimento dos grupos ≥65 anos nas últimas décadas reflecte a crescente detecção de ATTRwt.

Mortalidade hospitalar por grupo etário — Amiloidose (2000–2024)

Fonte: BDMH/ACSS. Episódios de internamento SNS 2000–2024.

5. Distribuição por Sexo

O predomínio masculino é ligeiro mas consistente: 52,6% dos episódios correspondem a homens, com uma mortalidade hospitalar de 9,4% vs. 8,6% nas mulheres. A idade média é idêntica em ambos os sexos (58,4 anos). A razão homem:mulher foi de 1,11:1 no total do período, mas aumentou para valores superiores a 1,2:1 nos anos mais recentes (2016–2024), reflectindo o maior reconhecimento da ATTRwt, que é predominantemente masculina.

A duração média de internamento foi ligeiramente superior nos homens (10,8 vs. 10,1 dias).

Evolução anual de episódios por sexo — Amiloidose (2000–2024)

Até 2009 as mulheres eram ligeiramente predominantes (reflexo da maior proporção feminina na PAF). A partir de 2010, a inversão reflecte o crescimento da ATTRwt (predominantemente masculina).

6. Mortalidade Hospitalar

A mortalidade hospitalar global foi de 9,0% (2.068 óbitos em 22.944 episódios). A taxa de mortalidade não apresentou uma tendência linear clara ao longo do período, oscilando entre 5,3% (2009) e 12,2% (2020). O ano de 2020 registou a mortalidade mais elevada, possivelmente influenciada pela pandemia COVID-19 e pela selecção de casos mais graves para internamento.

A mortalidade foi significativamente diferente segundo:

  • Posição do diagnóstico: os episódios com amiloidose como diagnóstico principal tiveram mortalidade mais baixa do que os com diagnóstico secundário (reflexo de que o diagnóstico secundário surge frequentemente em doentes mais graves por outra causa).
  • Tipo de admissão: admissão urgente 13,4% vs. admissão programada 2,8% (diferença de 10,6 pontos percentuais).
  • Faixa etária: de 2,3% nos <40 anos a 18,9% nos ≥80 anos.

Destino de Alta

  • Domicílio: 84,8% dos episódios
  • Falecido: 9,0%
  • Transferência para outra instituição: 3,5%
  • Cuidados continuados: 1,4%
Taxa de mortalidade hospitalar anual por amiloidose (2000–2024)

Mortalidade intra-hospitalar (dsp=20). O aumento da mortalidade nos anos recentes é parcialmente explicado pelo envelhecimento da coorte de doentes (crescente peso da ATTRwt).

7. Distribuição Geográfica

Padrão por Distrito de Residência

O padrão geográfico da amiloidose em Portugal é inequívoco: o Norte e Centro interior apresentam as taxas mais elevadas, com o distrito de Bragança a liderar com 22,9 internamentos por 100.000 habitantes por ano — mais do dobro da média nacional. Este cluster corresponde ao foco histórico da hATTR-V30M (PAF), que tem o seu epicentro nos concelhos de Barcelos, Vila do Conde e Póvoa de Varzim (distrito do Porto), com extensões para Braga, Bragança, Coimbra e Viseu.

O Sul do país (Alentejo e Algarve) apresenta taxas muito inferiores, embora o Algarve tenha a taxa de mortalidade mais elevada (17,8%), possivelmente reflectindo doentes com diagnóstico tardio.

Nota: Os mapas geográficos não são produzidos automaticamente neste relatório; a tabela abaixo fornece os dados para produção de mapas coropletos.

Taxas de internamento por amiloidose por distrito de residência (2000–2024)
DistritoEpisódiosÓbitosTx. Mort. (%)Pop. média anualTaxa acum./100kTaxa anual/100k
Bragança766141,8134 053571,422,86
Coimbra16581197,2426 16838915,56
Braga31042156,9845 78136714,68
Porto61815078,21 807 51334213,68
Guarda457419158 725287,911,52
Castelo Branco529387,2192 083275,411,02
Viseu813769,3371 913218,68,74
Vila Real400338,3202 487197,57,9
Aveiro133413710,3712 359187,37,49
Viana do Castelo4294711241 240177,87,11
Leiria8248910,8466 249176,77,07
Lisboa389743111,12 243 766173,76,95
Santarém7008412445 083157,36,29
Setúbal117413911,8849 656138,25,53
Faro3205717,8445 73371,82,87
Portalegre801012,5115 42469,32,77
Évora931111,8163 266572,28
Beja64914,1151 86542,11,69

Taxas brutas (não ajustadas por idade). Taxa acumulada = total episódios 2000–2024 / pop. média anual × 100.000. Taxa anual = taxa acumulada / 25 anos. Excluem-se residências desconhecidas (99) e ilhas (populações não disponíveis ao nível distrital).

8. Hospitais com Maior Experiência em Amiloidose

Os três maiores centros de referência são a ULS de Santo António (Porto, 4.048 episódios — o principal centro de tratamento da PAF em Portugal), a ULS de Coimbra (2.750 episódios) e a ULS de São José (Lisboa, 2.256 episódios). Em conjunto, estes três centros concentram 39,6% de todos os internamentos por amiloidose no país.

A ULS do Algarve apresenta a mortalidade mais elevada entre os centros com volume significativo (22,6%), possívelmente reflexo de menor especialização e diagnóstico mais tardio. A ULS de Trás-os-Montes e Alto Douro apresenta uma duração de internamento muito curta (2,7 dias de média), sugerindo que muitos episódios correspondem a pacemakers ou procedimentos de curta duração em doentes seguidos noutros centros.

Hospitais com maior volume de episódios de amiloidose (top 20, 2000–2024)
HospitalEpisódiosDiag. PrincipalÓbitosTx. Mort. (%)Média dias int.
ULS de Santo António (Porto)40487802335,89,2
ULS de Coimbra27505521776,410,2
ULS de São José (Lisboa)22565051345,912,2
ULS de Santa Maria (Lisboa)110121413412,212
ULS de Trás-os-Montes e Alto Douro1092129373,42,7
ULS de São João (Porto)108518511210,312,4
ULS de Braga86512510211,89,7
ULS de Lisboa Ocidental6481108212,713,3
ULS de Matosinhos507685210,311,9
ULS de Gaia / Espinho4771855210,98,6
ULS de Viseu Dão-Lafões468995712,211,1
ULS da Póvoa de Varzim / Vila do Conde402324210,48,6
ULS de Amadora / Sintra322574413,716,5
ULS de Almada / Seixal316714413,912,7
ULS do Algarve239505422,620,4
ULS da Lezíria235233615,311,8
ULS do Tâmega e Sousa228482310,116,4
ULS do Alto Minho217273214,712
ULS de Entre Douro e Vouga213183014,19,3
ULS da Cova da Beira21362167,511,1

Nomes de hospitais reflectem a estrutura organizacional de 2025 (fusões ULS aplicadas retroactivamente). Tx. Mort. = mortalidade intra-hospitalar.

9. Comorbilidades Associadas

A análise das comorbilidades Elixhauser nos episódios de amiloidose revela uma elevada carga de multimorbilidade, com destaque para as comorbilidades cardiovasculares e renais — clinicamente congruentes com as manifestações sistémicas da doença.

Top 10 comorbilidades mais frequentes (Elixhauser):

  1. Arritmias cardíacas (38,5% dos episódios) — incluindo FA, bloqueios e disfunção sinusal; directamente relacionadas com a infiltração amiloidótica do sistema de condução.
  2. Doença hepática (31,3%) — reflecte tanto o envolvimento hepático directo (na amiloidose AL) como o transplante hepático (na hATTR/PAF).
  3. Insuficiência renal (30,4%) — consequência do depósito glomerular de amiloide; preditor de mau prognóstico.
  4. Insuficiência cardíaca congestiva (27,3%) — manifestação cardinal da cardiomiopatia amiloidótica.
  5. Hipertensão não complicada (21,3%)
  6. Hipertensão complicada (17,4%)
  7. Distúrbios hidroelectrolíticos (15,6%)
  8. Diabetes não complicada (13,5%)
  9. Outras doenças neurológicas (12,8%) — neuropatia periférica na hATTR.
  10. Diabetes complicada (12,5%)
Comorbilidades Elixhauser mais frequentes nos episódios de amiloidose (2000–2024)
ComorbilidadeN.º episódios com comorbilidadeMortalidade com comorbilidade (%)
Arritmias cardíacas88247,2
Doença hepática71876,2
Insuficiência renal69658,3
Insuficiência cardíaca congestiva626510,8
Hipertensão não complicada48786,9
Hipertensão complicada399710,9
Distúrbios hidroelectrolíticos358810,7
Diabetes não complicada30916,8
Outras doenças neurológicas29367,3
Diabetes complicada28596,6
Doença pulmonar crónica28517,3
Doença valvular24377,2
Tumor sólido sem metástases23176
Linfoma22578,8
Depressão22185,7

Comorbilidades Elixhauser (Quan 2005), identificadas em qualquer posição diagnóstica d1–d10. Um episódio pode ter múltiplas comorbilidades.

10. Multimorbilidade

Quase 44% dos episódios de amiloidose foram registados em doentes com 3 ou mais comorbilidades (Elixhauser). A relação entre carga de comorbilidades e mortalidade é clara e progressiva: a mortalidade triplica de 3,8% (sem comorbilidades) para 12,0% (3 ou mais comorbilidades). Da mesma forma, a duração média de internamento quase duplica (7,1 vs. 11,6 dias).

Multimorbilidade Elixhauser nos episódios de amiloidose
N.º comorbilidadesEpisódios% do totalÓbitosTx. mortalidade (%)Média dias int.
0 (sem comorbilidades)250310,9953,87,1
1 comorbilidade509422,22935,89,2
2 comorbilidades525422,94779,111,4
3 ou mais comorbilidades10 05243,912031211,6

Comorbilidades Elixhauser (hierarquia aplicada: complicada supera não complicada, metastática supera sólido sem metástases).

11. Procedimentos e Tratamentos

A análise dos procedimentos mais relevantes no contexto da amiloidose revela:

  • Diálise: 1.880 episódios (8,2% do total) — consequência da nefropatia amiloidótica, com mortalidade de 8,4%.
  • Cateterismo cardíaco: 1.746 episódios (7,6%) — para avaliação hemodinâmica da cardiomiopatia restritiva; mortalidade de 13,2%.
  • Pacemaker/CDI: 477 episódios (2,1%) — implantação de dispositivos para manejo de bloqueios e arritmias; mortalidade muito baixa (2,1%), reflectindo procedimentos programados.
  • Ventilação mecânica: 255 episódios (1,1%), com mortalidade de 32,9% — marcador de descompensação crítica.
  • Transplante cardíaco: volume insuficiente para análise segura (<5 episódios identificados com critérios actuais).

A baixa taxa de ventilação mecânica relativamente aos óbitos sugere que muitas mortes ocorrem sem recurso a cuidados intensivos com suporte ventilatório, o que poderá reflectir a natureza progressiva e paliativa da doença em fase avançada.

Reinternamentos

  • Reinternamento a 30 dias: 28,6% dos episódios com seguimento possível — uma taxa muito elevada que reflecte a natureza crónica e progressiva da doença.
  • Reinternamento a 90 dias: 44,6% — quase metade dos doentes é reinternado nos 3 meses seguintes.
Procedimentos relevantes nos episódios de internamento por amiloidose
ProcedimentoEpisódiosÓbitosTx. mortalidade (%)
Diálise (hemodiálise / diálise peritoneal)18801588,4
Cateterismo cardíaco174623013,2
Pacemaker / CDI477102,1
Ventilação mecânica invasiva2558432,9

Identificação por prefixos ICD-9 e ICD-10 nas posições p1–p5. Transplante cardíaco: <5 casos identificados pela codificação actual.

12. Duração do Internamento e Complexidade

A duração média global de internamento foi de 10,4 dias (mediana variável entre 4 e 7 dias consoante o ano). A mediana é sistematicamente inferior à média, reflectindo uma distribuição assimétrica à direita com uma minoria de internamentos muito prolongados.

  • Percentil 90: 22–30 dias de internamento (consoante o ano), indicando que 10% dos episódios duram mais de 3 semanas.
  • Evolução temporal: a duração média manteve-se relativamente estável ao longo dos 25 anos (9–12 dias), sem uma tendência de encurtamento clara — diferente do que se observa noutras patologias cardíacas, onde houve redução assinalável.

O índice de complexidade médio (DEQ — desvio esperado de qualidade/custo relativo do GDH APR-31) foi de 0,90, sem tendência de aumento significativo ao longo do período, sugerindo que o crescimento do volume de episódios não foi acompanhado por aumento equivalente na complexidade codificada — possivelmente porque muitos episódios recentes correspondem a doentes mais jovens e menos complexos (hATTR em seguimento regular) ou a admissões de curta duração para procedimentos específicos.

Tipo de Admissão

  • Urgência: 58,4% dos episódios, com mortalidade de 13,4%
  • Programado: 41,6% dos episódios, com mortalidade de apenas 2,8%

Esta distribuição revela que uma parte substancial dos doentes com amiloidose chega ao hospital em contexto de urgência — sugerindo diagnóstico tardio ou descompensação aguda, e não apenas seguimento programado.

13. Análise por Períodos Quinquenais

A comparação entre os cinco períodos quinquenais permite apreender a evolução estrutural da doença ao longo das duas décadas e meia:

Comparação entre períodos quinquenais — Amiloidose em internamento
PeríodoEpisódiosDoentes únicosÓbitosTx. Mort. (%)Média dias int.Idade médiaDEQ médioAdmissão urgente (%)
2000–20042882645232810,847,10,91356,3
2005–2009366014252797,610,747,60,93552,7
2010–2014393217513067,810540,90753,4
2015–2019505826084709,311,160,60,89660,9
2020–20247412373978110,510,1690,86262,9

O aumento da idade média de 47 (2000–2004) para 69 anos (2020–2024) reflecte a transição do perfil hATTR (PAF, mais jovem) para um predomínio crescente de ATTRwt e AL (mais idosos). O crescimento da admissão urgente sugere progressão da doença nos utentes mais idosos.

14. Principais Causas de Internamento quando Amiloidose é Diagnóstico Secundário

Quando a amiloidose é registada como diagnóstico secundário (19.880 episódios, 86,7% do total), os diagnósticos principais mais frequentes que motivaram o internamento foram:

  1. Doença renal crónica terminal (N186): 992 episódios — os doentes fazem diálise regular e a amiloidose é comorbilidade.
  2. Complicação de fígado transplantado (99682): 492 episódios — doentes pós-transplante hepático por PAF (hATTR).
  3. Infecção do tracto urinário (5990): 289 episódios.
  4. Pneumonia (486/J189): 527 episódios (270+257), com mortalidade de 22–23% — internamentos de alto risco.
  5. Disfunção do nó sinusal (42781): 266 episódios — implantação de pacemaker.
  6. Insuficiência cardíaca (I509/4280): 447 episódios — descompensação cardíaca aguda.

Este padrão confirma que a amiloidose gera múltiplas vias de internamento: renal (diálise), cardíaca (insuficiência, arritmias), infecciosa (complicações de imunossupressão pós-transplante) e neurológica.

15. Custos e Complexidade Económica

A BDMH não disponibiliza valores de custo directo por episódio. A estimativa de impacto económico pode ser aproximada através do peso relativo dos GDH (APR-DRG), do número de episódios e dos dias de internamento.

Estimativa de custo relativo (proxy):

  • DEQ médio global: 0,90 (ligeiramente abaixo da média de 1,0 do sistema)
  • Com aproximadamente 22.944 episódios ao longo de 25 anos, e uma média de 10,4 dias de internamento por episódio, o peso total é de ~239.000 dias de internamento
  • Nos últimos 5 anos (2020–2024), os 7.412 episódios representam ~75.000 dias de internamento

Evolução dos custos: O crescimento do número de episódios (+224% de 2000 para 2024) é o principal motor do aumento de custos, dado que o DEQ médio se manteve relativamente estável. O período 2020–2024 representa 32,3% de todos os episódios dos 25 anos, consolidando o crescimento exponencial da carga hospitalar desta doença.

Nota: A entrada de novos fármacos específicos para a ATTRwt (tafamidis, acoramidis) e para a hATTR (patisiran, inotersen, vutrisiran, eplontersen) a partir de 2019–2020 representa um custo farmacológico ambulatório não captado pela BDMH, que pode superar o custo do internamento em doentes seguidos em consulta externa.

16. Questões de Investigação — Respostas Sumárias

QuestãoResposta
Quantos internamentos ocorreram?22.944 episódios (2000–2024)
A incidência hospitalar aumentou?Sim: +212% na taxa bruta por 100.000 hab.
O aumento resulta de prevalência ou diagnóstico?Ambos: reconhecimento da ATTRwt + expansão terapêutica hATTR + envelhecimento
Grupos etários mais afectados?hATTR: 40–60 anos; ATTRwt/AL: ≥70 anos; distribuição bimodal
Diferenças por sexo?Ligeiro predomínio masculino (52,6%); razão M:F crescente nos anos recentes
Mortalidade hospitalar?9,0% global; 18,9% nos ≥80 anos; 13,4% nas admissões urgentes
A mortalidade diminuiu?Não claramente; tendência de aumento ligeiro no período mais recente
Principais comorbilidades?Arritmias (38,5%), doença hepática (31,3%), insuficiência renal (30,4%), ICC (27,3%)
Impacto da multimorbilidade?Mortalidade triplica: 3,8% (sem) → 12,0% (≥3 comorbilidades)
Hospitais com mais experiência?ULS Santo António (Porto), ULS Coimbra, ULS São José (Lisboa)
Diferenças regionais significativas?Sim: Norte e Centro Interior com taxas até 10× superiores ao Sul
Existem clusters geográficos?Sim: Porto, Braga, Bragança, Coimbra — cluster hATTR histórico
Custo para o SNS?Estimado em ~239.000 dias de internamento em 25 anos; crescimento acelerado
Peso dos cuidados intensivos?Ventilação mecânica em 1,1% dos episódios; mortalidade 32,9%
Sinais de subdiagnóstico?Sim: taxas muito baixas no Sul e ATTRwt com apenas 274 episódios codificados
Reinternamentos elevados?Sim: 28,6% a 30 dias, 44,6% a 90 dias

Metodologia

Fonte de dados: Base de Dados de Morbilidade Hospitalar (BDMH), ACSS — episódios de internamento hospitalar nos hospitais do SNS português, 2000–2024.

Critério de inclusão: Todos os episódios de internamento (tipo_port_apr31 = 'Int') com pelo menos um código de amiloidose em qualquer das 10 posições de diagnóstico (d1–d10):

  • ICD-9-CM (até 2016): códigos 2773, 27730, 27731, 27739
  • ICD-10-CM/PCS (a partir de 2016/2017): códigos E850–E859, E8581, E8582, E8589

Critérios de exclusão: Episódios ambulatórios e de cirurgia de ambulatório (tipo_port_apr31 ≠ 'Int'); episódios com residência desconhecida (código 99) na análise geográfica.

Captação da doença: A cardiomiopatia amiloidótica não tem código ICD específico isolado; a estratégia adoptada (todos os códigos E85x / 2773x em qualquer posição) identifica o universo mais amplo possível, incluindo hATTR, ATTRwt, AL e outras formas. Esta abordagem inclui episódios de doentes com amiloidose internados por outras causas (diagnóstico secundário, 86,7% do total).

Eras ICD: ~5,6% dos episódios de 2016 já usam ICD-10. A view 'icd_versao' por episódio foi respeitada em todas as pesquisas.

Comorbilidades: Índice de Elixhauser (Quan 2005), aplicado aos diagnósticos d1–d10 de cada episódio; hierarquia de complicação aplicada.

Populações: Estimativas anuais INE (dim_populacao), nível nacional e distrital; faixas etárias disponíveis: 0–14, 15–24, 25–64, 65+ e total. Taxas brutas (não padronizadas por idade), excepto quando indicado.

Doentes únicos: Contagem de n_ficticio_utente distinto; sentinelas excluídos. Linkage limitado antes de 2006 (até 26% de episódios sem identificação).

Quebras de série: 2007 (entrada de episódios ambulatórios); 2013 (alteração da definição de internamento); 2020 (pandemia COVID-19). Todas as análises filtram tipo_port_apr31='Int' para mitigar os efeitos de 2007 e 2013.

Custos: A BDMH não disponibiliza custos directos por episódio; os valores DEQ (desvio esperado APR-DRG v31) são utilizados como proxy de complexidade relativa.

Reinternamentos: Calculados sobre episódios com n_ficticio_utente válido e não-sentinela; a disponibilidade do identificador pseudonimizado é limitada no período 2000–2005.

Data de análise: Junho de 2025.

Reprodutibilidade: consultas SQL utilizadas (8)

Série temporal anual de episódios de internamento por amiloidose

SELECT ano, COUNT(*) AS n_episodios, SUM(CASE WHEN (icd_versao='9' AND d1 LIKE '2773%') OR (icd_versao='10' AND d1 LIKE 'E85%') THEN 1 ELSE 0 END) AS diag_principal, COUNT(DISTINCT n_ficticio_utente) AS doentes_unicos, ROUND(AVG(CASE WHEN dias_int >= 0 THEN dias_int END),1) AS media_dias, SUM(CASE WHEN dsp = 20 THEN 1 ELSE 0 END) AS obitos FROM episodes WHERE tipo_port_apr31 = 'Int' AND ((icd_versao='9' AND (d1 LIKE '2773%' OR d2 LIKE '2773%' OR d3 LIKE '2773%' OR d4 LIKE '2773%' OR d5 LIKE '2773%' OR d6 LIKE '2773%' OR d7 LIKE '2773%' OR d8 LIKE '2773%' OR d9 LIKE '2773%' OR d10 LIKE '2773%')) OR (icd_versao='10' AND (d1 LIKE 'E85%' OR d2 LIKE 'E85%' OR d3 LIKE 'E85%' OR d4 LIKE 'E85%' OR d5 LIKE 'E85%' OR d6 LIKE 'E85%' OR d7 LIKE 'E85%' OR d8 LIKE 'E85%' OR d9 LIKE 'E85%' OR d10 LIKE 'E85%'))) GROUP BY ano ORDER BY ano

Taxa bruta por 100.000 habitantes (total e ≥65 anos)

WITH amil_ano AS (SELECT ano, COUNT(*) AS n_episodios FROM episodes WHERE tipo_port_apr31='Int' AND ((icd_versao='9' AND (d1 LIKE '2773%' OR d2 LIKE '2773%' OR d3 LIKE '2773%' OR d4 LIKE '2773%' OR d5 LIKE '2773%' OR d6 LIKE '2773%' OR d7 LIKE '2773%' OR d8 LIKE '2773%' OR d9 LIKE '2773%' OR d10 LIKE '2773%')) OR (icd_versao='10' AND (d1 LIKE 'E85%' OR d2 LIKE 'E85%' OR d3 LIKE 'E85%' OR d4 LIKE 'E85%' OR d5 LIKE 'E85%' OR d6 LIKE 'E85%' OR d7 LIKE 'E85%' OR d8 LIKE 'E85%' OR d9 LIKE 'E85%' OR d10 LIKE 'E85%'))) GROUP BY ano), pop_pt AS (SELECT ano, populacao FROM dim_populacao WHERE geo_cod='PT' AND sexo='T' AND faixa_cod='T') SELECT a.ano, a.n_episodios, p.populacao, ROUND(1e5*a.n_episodios/p.populacao,2) AS taxa_por_100k FROM amil_ano a JOIN pop_pt p ON p.ano = a.ano ORDER BY a.ano

Distribuição etária e mortalidade por grupo etário

SELECT CASE WHEN idade < 40 THEN '0-39' WHEN idade < 50 THEN '40-49' WHEN idade < 60 THEN '50-59' WHEN idade < 70 THEN '60-69' WHEN idade < 80 THEN '70-79' ELSE '80+' END AS grupo_etario, COUNT(*) AS n_episodios, ROUND(100.0*COUNT(*)/SUM(COUNT(*)) OVER(),1) AS pct_total, SUM(CASE WHEN dsp=20 THEN 1 ELSE 0 END) AS obitos, ROUND(100.0*SUM(CASE WHEN dsp=20 THEN 1 ELSE 0 END)/COUNT(*),1) AS tx_mortalidade, ROUND(AVG(CASE WHEN dias_int>=0 THEN dias_int END),1) AS media_dias FROM episodes WHERE tipo_port_apr31='Int' AND ((icd_versao='9' AND (d1 LIKE '2773%' OR d2 LIKE '2773%' OR d3 LIKE '2773%' OR d4 LIKE '2773%' OR d5 LIKE '2773%' OR d6 LIKE '2773%' OR d7 LIKE '2773%' OR d8 LIKE '2773%' OR d9 LIKE '2773%' OR d10 LIKE '2773%')) OR (icd_versao='10' AND (d1 LIKE 'E85%' OR d2 LIKE 'E85%' OR d3 LIKE 'E85%' OR d4 LIKE 'E85%' OR d5 LIKE 'E85%' OR d6 LIKE 'E85%' OR d7 LIKE 'E85%' OR d8 LIKE 'E85%' OR d9 LIKE 'E85%' OR d10 LIKE 'E85%'))) AND idade BETWEEN 0 AND 110 GROUP BY 1 ORDER BY 1

Distribuição por sexo

SELECT CASE sexo WHEN 1 THEN 'Masculino' WHEN 2 THEN 'Feminino' ELSE 'Indeterminado' END AS sexo_label, COUNT(*) AS n_episodios, ROUND(100.0*COUNT(*)/SUM(COUNT(*)) OVER(),1) AS pct_total, SUM(CASE WHEN dsp=20 THEN 1 ELSE 0 END) AS obitos, ROUND(100.0*SUM(CASE WHEN dsp=20 THEN 1 ELSE 0 END)/COUNT(*),1) AS tx_mortalidade, ROUND(AVG(idade),1) AS idade_media, ROUND(AVG(CASE WHEN dias_int>=0 THEN dias_int END),1) AS media_dias FROM episodes WHERE tipo_port_apr31='Int' AND ((icd_versao='9' AND (d1 LIKE '2773%' OR d2 LIKE '2773%' OR d3 LIKE '2773%' OR d4 LIKE '2773%' OR d5 LIKE '2773%' OR d6 LIKE '2773%' OR d7 LIKE '2773%' OR d8 LIKE '2773%' OR d9 LIKE '2773%' OR d10 LIKE '2773%')) OR (icd_versao='10' AND (d1 LIKE 'E85%' OR d2 LIKE 'E85%' OR d3 LIKE 'E85%' OR d4 LIKE 'E85%' OR d5 LIKE 'E85%' OR d6 LIKE 'E85%' OR d7 LIKE 'E85%' OR d8 LIKE 'E85%' OR d9 LIKE 'E85%' OR d10 LIKE 'E85%'))) GROUP BY sexo ORDER BY sexo

Top hospitais por volume de episódios

SELECT hospital, COUNT(*) AS n_episodios, SUM(CASE WHEN (icd_versao='9' AND d1 LIKE '2773%') OR (icd_versao='10' AND d1 LIKE 'E85%') THEN 1 ELSE 0 END) AS diag_principal, SUM(CASE WHEN dsp=20 THEN 1 ELSE 0 END) AS obitos, ROUND(100.0*SUM(CASE WHEN dsp=20 THEN 1 ELSE 0 END)/COUNT(*),1) AS tx_mortalidade, ROUND(AVG(CASE WHEN dias_int>=0 THEN dias_int END),1) AS media_dias FROM episodes WHERE tipo_port_apr31='Int' AND ((icd_versao='9' AND (d1 LIKE '2773%' OR d2 LIKE '2773%' OR d3 LIKE '2773%' OR d4 LIKE '2773%' OR d5 LIKE '2773%' OR d6 LIKE '2773%' OR d7 LIKE '2773%' OR d8 LIKE '2773%' OR d9 LIKE '2773%' OR d10 LIKE '2773%')) OR (icd_versao='10' AND (d1 LIKE 'E85%' OR d2 LIKE 'E85%' OR d3 LIKE 'E85%' OR d4 LIKE 'E85%' OR d5 LIKE 'E85%' OR d6 LIKE 'E85%' OR d7 LIKE 'E85%' OR d8 LIKE 'E85%' OR d9 LIKE 'E85%' OR d10 LIKE 'E85%'))) GROUP BY hospital ORDER BY n_episodios DESC LIMIT 25

Taxas por distrito de residência

WITH amil_dist AS (SELECT e.distrito, COUNT(*) AS n_episodios, SUM(CASE WHEN e.dsp=20 THEN 1 ELSE 0 END) AS obitos FROM episodes e WHERE e.tipo_port_apr31='Int' AND e.distrito NOT IN ('99','98','00','31','41','42','43','44','45','46','47','48','49') AND e.distrito IS NOT NULL AND ((e.icd_versao='9' AND (e.d1 LIKE '2773%' OR e.d2 LIKE '2773%' OR e.d3 LIKE '2773%' OR e.d4 LIKE '2773%' OR e.d5 LIKE '2773%' OR e.d6 LIKE '2773%' OR e.d7 LIKE '2773%' OR e.d8 LIKE '2773%' OR e.d9 LIKE '2773%' OR e.d10 LIKE '2773%')) OR (e.icd_versao='10' AND (e.d1 LIKE 'E85%' OR e.d2 LIKE 'E85%' OR e.d3 LIKE 'E85%' OR e.d4 LIKE 'E85%' OR e.d5 LIKE 'E85%' OR e.d6 LIKE 'E85%' OR e.d7 LIKE 'E85%' OR e.d8 LIKE 'E85%' OR e.d9 LIKE 'E85%' OR e.d10 LIKE 'E85%'))) GROUP BY e.distrito), pop_dist AS (SELECT geo_cod, SUM(populacao)/25.0 AS pop_media_anual FROM dim_populacao WHERE geo_nivel='distrito' AND sexo='T' AND faixa_cod='T' GROUP BY geo_cod), dd AS (SELECT cod_dist, distrito FROM dim_distrito) SELECT dd.distrito, a.n_episodios, a.obitos, ROUND(100.0*a.obitos/a.n_episodios,1) AS tx_mortalidade, ROUND(p.pop_media_anual) AS pop_media_anual, ROUND(1e5*a.n_episodios/p.pop_media_anual,1) AS taxa_acum_por_100k FROM amil_dist a JOIN pop_dist p ON p.geo_cod = a.distrito JOIN dd ON dd.cod_dist = a.distrito ORDER BY taxa_acum_por_100k DESC

Comorbilidades Elixhauser mais frequentes

WITH amil_eps AS (SELECT n_ficticio_utente, hospital, data_entrada, data_saida, icd_versao, dsp FROM episodes WHERE tipo_port_apr31='Int' AND ((icd_versao='9' AND (d1 LIKE '2773%' OR d2 LIKE '2773%' OR d3 LIKE '2773%' OR d4 LIKE '2773%' OR d5 LIKE '2773%' OR d6 LIKE '2773%' OR d7 LIKE '2773%' OR d8 LIKE '2773%' OR d9 LIKE '2773%' OR d10 LIKE '2773%')) OR (icd_versao='10' AND (d1 LIKE 'E85%' OR d2 LIKE 'E85%' OR d3 LIKE 'E85%' OR d4 LIKE 'E85%' OR d5 LIKE 'E85%' OR d6 LIKE 'E85%' OR d7 LIKE 'E85%' OR d8 LIKE 'E85%' OR d9 LIKE 'E85%' OR d10 LIKE 'E85%')))) SELECT c.comorbidade, COUNT(DISTINCT (a.n_ficticio_utente, a.hospital, a.data_entrada)) AS n_episodios_comob, SUM(CASE WHEN a.dsp=20 THEN 1 ELSE 0 END) AS obitos, ROUND(100.0*SUM(CASE WHEN a.dsp=20 THEN 1 ELSE 0 END)/COUNT(*),1) AS tx_mort FROM amil_eps a JOIN diagnoses d ON d.n_ficticio_utente=a.n_ficticio_utente AND d.data_entrada=a.data_entrada AND d.hospital=a.hospital JOIN comorbidades c ON c.icd_versao=d.icd_versao AND c.codigo=d.codigo GROUP BY c.comorbidade ORDER BY n_episodios_comob DESC LIMIT 20

Reinternamentos a 30 e 90 dias

WITH amil_eps AS (SELECT n_ficticio_utente, hospital, data_entrada, data_saida, ano, dsp, dias_int FROM episodes WHERE tipo_port_apr31='Int' AND n_ficticio_utente IS NOT NULL AND n_ficticio_utente NOT IN (SELECT n_ficticio_utente FROM sentinel_patient_ids) AND ((icd_versao='9' AND (d1 LIKE '2773%' OR d2 LIKE '2773%' OR d3 LIKE '2773%' OR d4 LIKE '2773%' OR d5 LIKE '2773%' OR d6 LIKE '2773%' OR d7 LIKE '2773%' OR d8 LIKE '2773%' OR d9 LIKE '2773%' OR d10 LIKE '2773%')) OR (icd_versao='10' AND (d1 LIKE 'E85%' OR d2 LIKE 'E85%' OR d3 LIKE 'E85%' OR d4 LIKE 'E85%' OR d5 LIKE 'E85%' OR d6 LIKE 'E85%' OR d7 LIKE 'E85%' OR d8 LIKE 'E85%' OR d9 LIKE 'E85%' OR d10 LIKE 'E85%')))), next_ep AS (SELECT a.n_ficticio_utente, a.data_entrada, a.data_saida, MIN(b.data_entrada) AS proxima_entrada FROM amil_eps a JOIN amil_eps b ON b.n_ficticio_utente=a.n_ficticio_utente AND b.data_entrada > a.data_saida GROUP BY a.n_ficticio_utente, a.data_entrada, a.data_saida) SELECT SUM(CASE WHEN DATE_DIFF('day', data_saida, proxima_entrada) <= 30 THEN 1 ELSE 0 END) AS reinternamentos_30d, SUM(CASE WHEN DATE_DIFF('day', data_saida, proxima_entrada) <= 90 THEN 1 ELSE 0 END) AS reinternamentos_90d, COUNT(*) AS episodios_com_seguimento FROM next_ep

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